O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reconduziu Clauro Roberto de Bortolli à chefia do Ministério Público Militar nesta quinta-feira (26), para garantir a continuidade da gestão que pede a expulsão de Jair Bolsonaro do Exército.
A decisão administrativa confirma a permanência do jurista gaúcho no comando do órgão durante o biênio 2026-2028. A nomeação respeita a vontade interna da instituição, uma vez que Bortolli encabeçou a lista tríplice eleita por seus pares.
A nova etapa do mandato terá início formal em 13 de abril. Sob a liderança de Bortolli, o MPM protocolou uma medida severa ao Superior Tribunal Militar (STM), visando a perda de postos e patentes do ex-mandatário por condutas contra a democracia.
Ofensiva jurídica e condenação
O processo fundamenta-se na tese de que o capitão reformado demonstrou descaso com preceitos éticos militares. O órgão sustenta que o uso de estruturas estatais para ameaçar o regime democrático torna o oficial indigno para o cargo que ocupa.
Essa movimentação jurídica ocorre no vácuo das condenações que somam 27 anos e três meses de prisão contra o ex-presidente. Os crimes citados envolvem a tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e trama golpista.
Bortolli, que ingressou no Ministério Público em 1995, consolidou sua carreira em tribunais superiores antes de assumir a chefia máxima. O desfecho no STM será um marco histórico, pois a Constituição Federal prevê a cassação de patentes para condenados a penas superiores a dois anos.
