Uma condenação por comandar um esquema de pirâmide financeira no Brasil não impediu que Izabela Cristy Gomes Barros passasse a ostentar uma vida de luxo em Dubai, enquanto vítimas relatam perdas financeiras devastadoras e novas suspeitas de golpes semelhantes surgem. A empresária, que se apresenta como cantora gospel, empreendedora internacional, modelo e “criadora de estilo de vida” nas redes sociais, é suspeita de continuar aplicando golpes mesmo após cumprir pena, e deixou o país apesar de uma decisão da Justiça que determinava a retenção do passaporte.
Izabela Cristy ficou conhecida por prometer altos lucros a investidores por meio de um esquema que, segundo a Justiça, funcionava como uma pirâmide financeira. O caso deixou um rastro de prejuízos e destruiu a vida financeira de pessoas que confiaram nas promessas de rendimento. Após cumprir pena no Brasil, ela passou a exibir nas redes sociais uma rotina de ostentação nos Emirados Árabes Unidos, com registros de viagens, carros de luxo e imóveis. Ao mesmo tempo, surgiram novas suspeitas de que ela estaria envolvida em negócios semelhantes aos que motivaram sua condenação.
Vítimas afirmam que ainda enfrentam as consequências dos prejuízos causados pelo esquema. Muitas perderam economias de uma vida inteira, venderam bens ou contraíram dívidas acreditando nas promessas de retorno financeiro. Algumas relatam que até hoje tentam se recuperar das perdas. Os depoimentos mostram que o impacto foi além do dinheiro: famílias foram desestruturadas, relacionamentos acabaram e investidores dizem conviver com traumas, sentimento de culpa e dificuldades para reconstruir a vida financeira depois de acreditar na proposta apresentada pela empresária.
Investigações e desdobramentos
As apurações indicam que o modelo de atuação teria características semelhantes às do esquema que levou à condenação anterior. O Fantástico também mostra os caminhos percorridos pela investigação e reúne documentos, decisões judiciais e relatos de vítimas que tentam responsabilizar a empresária. As autoridades seguem acompanhando as denúncias e os desdobramentos do caso. Por telefone, Izabela disse que é inocente e que manda mensagens aos clientes prometendo devolver o dinheiro investido, sem juros.
O caso expõe um panorama preocupante de crimes financeiros que cruzam fronteiras, com condenados utilizando brechas legais e a falta de cooperação internacional para continuar operando. Enquanto isso, no Brasil, as vítimas seguem sem ressarcimento, e o sistema judiciário enfrenta desafios para responsabilizar os envolvidos em esquemas de pirâmide que, muitas vezes, se reinventam em novos países.
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