A convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, realizada em São Paulo, gerou posições divergentes entre aliados do candidato sobre os efeitos da participação do presidente da Argentina, Javier Milei. Enquanto a ala radical da campanha avalia que a presença do líder argentino ajudou a incendiar a base bolsonarista, a ala moderada considera que Milei foi grosseiro e que isso pode pesar contra Flávio Bolsonaro entre eleitores independentes. A cúpula do PL também monitora com apreensão novas revelações sobre a relação do candidato com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Segundo informações divulgadas pelo blog do Valdo Cruz, no G1, a ala radical da campanha de Flávio Bolsonaro aprovou entusiasticamente o discurso de Milei, vendo nele um elemento capaz de mobilizar a militância do PL. No entanto, os moderados têm uma visão oposta. Um líder da cúpula do PL, que não gostou da presença do argentino, afirmou: “Estamos precisando atrair eleitores, como os independentes, os que já estão conosco vão continuar, as pesquisas mostram isso”. A fala reflete o temor de que o estilo radical adotado na convenção possa afastar justamente o eleitorado que a campanha precisa conquistar para garantir a ida ao segundo turno.
A última pesquisa Datafolha, citada por integrantes da cúpula do PL, mostrou a resiliência de Flávio Bolsonaro, que não perdeu apoio significativo mesmo após um período de crise intensa na campanha. No entanto, os dirigentes partidários entendem que é necessário equilibrar a mobilização da militância com a necessidade de não adotar um discurso excessivamente radical, que possa comprometer a atração de eleitores independentes. A ala radical, por sua vez, estaria prejudicando o trabalho feito no início do ano para vender a imagem de que o senador é o “Bolsonaro moderado”, que tomou vacinas e não seria explosivo como o pai. O próprio candidato, segundo fontes, tem se posicionado de forma mais radical recentemente.
Além das divergências sobre Milei, a campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta outro ponto de tensão: o temor de que surjam novas informações sobre o relacionamento do candidato com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Interlocutores da campanha não gostaram da última novidade, que envolve a emissão de notas fiscais do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro para um empresário com relações próximas a Vorcaro. Embora o caso não seja considerado grave, a revelação quebra a promessa do candidato de que nada mais viria a público sobre a relação entre os dois. A cúpula do PL acompanha de perto o desenrolar desses fatos, que podem impactar a reta final da campanha.
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