Copa do Mundo 2026: Empresas não são obrigadas a liberar funcionários para jogos, mas maioria adota flexibilização

O primeiro jogo do Brasil em dia útil na Copa do Mundo 2026 acontece nesta sexta-feira (19), e empresas de todo o país já se prepararam para mudanças na rotina de trabalho durante os jogos. As partidas da seleção reacendem dúvidas frequentes entre trabalhadores e empregadores: empresas são obrigadas a liberar funcionários? É permitido assistir aos jogos durante o expediente? As horas podem ser compensadas? Apesar da tradição em anos de Mundial, dias de jogo da seleção brasileira não são feriados, e a legislação trabalhista não prevê nenhuma regra específica para a Copa do Mundo, mantendo a jornada normal de trabalho vigente. Na prática, isso significa que a empresa não é obrigada a liberar funcionários, reduzir expediente ou flexibilizar horários por causa dos jogos. Quando a liberação ocorre, a decisão parte exclusivamente do empregador.

Além do jogo de hoje, o Brasil fará mais um jogo da fase de grupos em dia útil, mas ambos são à noite, no horário de Brasília. Caso a seleção avance no torneio, novas partidas podem voltar a coincidir com o horário de trabalho. Uma pesquisa da Catho, realizada com 420 empresas, mostra que apenas 5% pretendem manter o expediente normal durante os jogos da seleção brasileira. A maioria afirma que deve adotar algum tipo de flexibilização para os colaboradores. Segundo o levantamento, 76% das empresas dizem que a Copa impacta, ao menos em parte, a rotina corporativa. Além disso, 60% afirmam que os jogos coincidem com o horário de trabalho — cenário que tende a afetar principalmente setores com operação noturna, como supermercados, shoppings, padarias, varejo, alimentação e prestação de serviços.

Medidas adotadas pelas empresas

Entre as medidas mais adotadas, 26% das empresas afirmam que irão transmitir os jogos no próprio ambiente de trabalho, enquanto 24% pretendem liberar os funcionários antes das partidas. Para Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, grupo responsável pela Catho, a tendência é que as empresas busquem equilibrar produtividade e experiência do colaborador durante eventos de grande interesse coletivo. “Existe uma percepção maior das empresas de que flexibilizar a rotina em momentos específicos pode contribuir para engajamento, clima organizacional e até produtividade, principalmente em equipes que atuam em jornadas mais extensas ou no período noturno”, afirma. A startup GetNinjas já está enfeitada para a Copa do Mundo, e funcionários verão jogos em telão, conforme registro de Marcelo Brandt/G1.

O panorama político e social do país reforça a importância de eventos como a Copa do Mundo na coesão nacional, mas também expõe desafios trabalhistas. Enquanto o governo federal não propõe alterações na legislação para tornar os dias de jogos feriados, a flexibilização fica a cargo de cada empresa, gerando disparidades entre setores e regiões. A ausência de regra obrigatória coloca em evidência a negociação entre empregadores e empregados, muitas vezes mediada por sindicatos, para garantir direitos como compensação de horas ou banco de horas. A pesquisa da Catho indica que a maioria das empresas opta por adaptar a rotina, mas a decisão final permanece nas mãos dos patrões, o que pode gerar insatisfação entre trabalhadores que não têm acesso a essas medidas.

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