Corte de 3 mil cargos comissionados marca gestão interina no Rio; Lula apoia ‘conserto’ do estado

O governo interino do Rio de Janeiro, sob o comando de Ricardo Couto, já exonerou mais de 3 mil servidores comissionados e ocupantes de cargos de confiança desde o início da gestão, conforme levantamentos oficiais divulgados nesta terça-feira. A medida, que visa reduzir gastos e combater o clientelismo na máquina pública, recebeu elogios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que Couto pode ‘consertar’ o estado. A declaração foi feita durante reunião em Brasília, onde Lula destacou a necessidade de ‘moralização’ da administração estadual.

Os dados, obtidos pela Secretaria de Planejamento e Gestão, indicam que o corte atingiu principalmente cargos de livre nomeação em secretarias e órgãos da administração indireta. A redução representa uma economia estimada em R$ 150 milhões anuais, recursos que serão redirecionados para áreas prioritárias como saúde e educação. A ação é parte de um pacote de medidas de austeridade anunciado por Couto ao assumir o cargo, após a renúncia do governador anterior.

O presidente Lula, em declaração à imprensa, afirmou que ‘o Rio precisa de um choque de gestão’ e que Ricardo Couto ‘tem competência e determinação para consertar o que estava errado’. A fala do chefe do Executivo federal ocorre em meio a um cenário político conturbado no estado, marcado por denúncias de corrupção e crise fiscal. Lula também ressaltou que o governo federal está disposto a colaborar com a interventoria, especialmente em projetos de infraestrutura e segurança pública.

Panorama político e reações

A exoneração em massa de comissionados gerou reações diversas no cenário político fluminense. Enquanto partidos de oposição criticam a medida como ‘autoritária’ e ‘desumana’, aliados do governo interino defendem a iniciativa como necessária para ‘enxugar a máquina’ e ‘acabar com privilégios’. O deputado estadual Carlos Minc (PT) classificou a ação como ‘um passo importante para a moralização do serviço público’, enquanto o líder da oposição na Assembleia Legislativa, Rodrigo Amorim (PSL), afirmou que a medida ‘atinge em cheio servidores que dependem do emprego para sobreviver’.

Especialistas em administração pública apontam que a redução de cargos comissionados é uma tendência em estados com crise fiscal, mas alertam para a necessidade de planejamento para evitar descontinuidade de serviços. O cientista político Jairo Nicolau avalia que ‘a medida é positiva, mas precisa ser acompanhada de uma reforma administrativa mais ampla, que inclua a criação de carreiras de Estado e a profissionalização da gestão’.

O governo interino também anunciou que, nos próximos dias, deve apresentar um plano de reestruturação de secretarias e órgãos, com a fusão de pastas e a extinção de autarquias consideradas ineficientes. A expectativa é que novas exonerações ocorram nas próximas semanas, totalizando até 5 mil cargos cortados até o final do ano.

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