
A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira (11) mais de 20 requerimentos para investigar o braço financeiro do PCC na Avenida Faria Lima e o grupo de comunicação que monitorava adversários do banqueiro Daniel Vorcaro.
Operação Carbono Oculto
A investigação da Polícia Federal identificou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. De acordo com o senador Humberto Costa (PT-PE), a rede utilizava postos de combustíveis e fundos de investimento para ocultar recursos ilícitos no mercado financeiro paulista.
O esquema envolvia operadores como Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, responsável pela gestão de distribuidoras de combustíveis. A CPI aprovou quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos de ambos investigados.
Conexões com Banco Master
O cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, foi convocado após aprovação de requerimentos. Segundo Humberto Costa, investigações apontam que Zettel mantém conexões financeiras diretas com a Reag Investimentos, identificada como braço financeiro do PCC na Faria Lima.
A CPI também investigará Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, apontado como “sócio oculto” da empresa. De acordo com a comissão, as empresas de Maximiano foram utilizadas para lavagem de dinheiro do PCC e fraudes bilionárias contra o sistema financeiro.
Funcionários do Banco Central
A CPI aprovou convocação do ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e do ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Bellini Santana. Segundo relatório da Polícia Federal citado por Costa, ambos atuaram como consultores informais de Vorcaro.
Os servidores afastados teriam facilitado a operação de compra do Banco Máxima, posteriormente renomeado Banco Master, e divulgado informações sigilosas. A CPI quebrou os sigilos da Varajo Consultoria, ligada a Vorcaro e responsável por proposta de pagamento a servidor do BC.
Grupo “A Turma” e Intimidações
A comissão intensificou investigações sobre “A Turma”, grupo de comunicação que monitorava e intimidava adversários do banqueiro. O grupo chegou a discutir, segundo informações divulgadas pela imprensa, simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, do O Globo, que publicou notícias sobre Vorcaro.
A CPI aprovou convocação de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, participante dos pagamentos para custear atividades do grupo. Também foram quebrados os sigilos de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal preso como principal operador da estrutura de intimidação.
A comissão aprovou quebra de sigilos da King Participações Imobiliárias e King Motors, além de empresas proprietárias de aeronave utilizada para transporte de aliados de Vorcaro. De acordo com o relator Alessandro Vieira (MDB-SE), indícios indicam que autoridades da República utilizaram aeronaves particulares em operações relacionadas.
Morte do “Sicário” e Próximos Passos
A CPI quebrou os sigilos fiscais, bancários e telefônicos de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e aliado de Vorcaro, após sua morte em circunstâncias questionadas. A comissão solicitou ao Supremo Tribunal Federal informações sobre o caso.
O empresário Vladimir Timerman, que vinha denunciando fraudes no Banco Master, foi convidado para depoimento. As investigações apontam fraudes no mercado financeiro que podem alcançar aproximadamente R$ 50 bilhões, consolidando a maior operação de lavagem de dinheiro relacionada ao crime organizado já investigada pelo Congresso Nacional.
