A Polícia Federal prendeu três agentes públicos do Rio de Janeiro acusados de exigir R$ 1,5 milhão de um chefe do Comando Vermelho para encerrar uma investigação criminal, segundo ação deflagrada pela corporação na segunda-feira (9).
O delegado Marcus Henrique, o comissário Franklin José de Oliveira e o oficial Leandro Moutinho teriam cobrado a quantia do traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”. A exigência ocorria enquanto Marcus Henrique comandava a 44ª Delegacia Policial, na região de Inhaúma.
Para pressionar o pagamento, os policiais emitiram intimações contra familiares do traficante, incluindo sua esposa e irmão. Conforme relatório da investigação, esses documentos funcionavam como instrumento de coação no esquema de extorsão montado pelos agentes.
Rede maior de corrupção desmantelada
A operação identificou três núcleos criminosos distintos. Além do esquema de extorsão, investigadores encontraram policiais militares que prestavam segurança e logística para o mesmo traficante, incluindo venda ilegal de armamentos.
Um segundo núcleo envolvia um delegado federal e advogados que negociavam favores para um traficante internacional neerlandês. O delegado Fabrizio Romano, também da PF, receberia valores em troca de informações privilegiadas e influência dentro da corporação, segundo apuração.
O ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Carracena atuava como intermediário. Investigadores detectaram participação de um homem com histórico criminal facilitando operações políticas do grupo em Brasília.
Próximos passos da investigação
Os envolvidos podem responder por associação criminosa, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro, conforme o grau de participação de cada um.
A ação integra a Missão Redentor II, força-tarefa criada por decisão do Supremo Tribunal Federal para combater organizações criminosas violentas no Rio e mapear conexões entre grupos do crime e agentes públicos.
