Criança de 3 anos sofre agressões com chinelo e cabo de carregador; casal é preso em Maceió

Uma criança de apenas 3 anos foi vítima de agressões físicas cometidas por um casal, que foi preso em flagrante pela Polícia Militar de Alagoas (PMAL) no bairro Santa Lúcia, na parte alta da capital alagoana. A denúncia, feita por vizinhos, levou os agentes até a residência da família, onde encontraram o menino com múltiplos hematomas espalhados pelo corpo, trauma nasal e uma lesão na boca. Segundo o relato da própria criança, as agressões foram realizadas com um chinelo e um cabo de carregador de celular. O caso, registrado nesta semana, reacende o alerta sobre a violência doméstica contra crianças no estado e a importância da atuação da rede de proteção.

A equipe da PMAL foi acionada por volta do início da noite, após denúncia anônima de que uma criança estaria sendo agredida dentro de casa. Ao chegar ao local, os policiais encontraram o menino visivelmente machucado. A criança, em depoimento informal aos agentes, afirmou que o casal — composto por um homem e uma mulher, cujos nomes não foram divulgados — a agrediu com chineladas e golpes com o cabo de um carregador de celular. O menino apresentava hematomas em diferentes regiões do corpo, além de trauma nasal e lesão na boca, compatíveis com as agressões descritas. O casal foi detido imediatamente e encaminhado à Central de Flagrantes de Maceió, onde permanece à disposição da Justiça. A Polícia Civil de Alagoas investiga o caso para apurar a extensão das lesões e possíveis outras violações.

O episódio ocorre em um contexto de crescente preocupação com a violência doméstica no estado de Alagoas, que, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registrou mais de 12 mil casos de lesão corporal dolosa contra crianças e adolescentes em 2023. A capital Maceió, em particular, concentra uma parcela significativa dessas ocorrências, muitas vezes subnotificadas. O bairro Santa Lúcia, onde o crime aconteceu, é uma área de vulnerabilidade social, com histórico de denúncias de violência intrafamiliar. Especialistas apontam que a falta de políticas públicas efetivas de proteção à infância e a fragilidade das redes de apoio contribuem para a perpetuação desses abusos. A prisão do casal, embora represente uma resposta imediata, levanta questionamentos sobre a eficácia das medidas preventivas e a necessidade de fortalecimento dos conselhos tutelares e das campanhas de conscientização.

O caso também destaca o papel crucial da denúncia anônima, que, neste episódio, foi o gatilho para a intervenção policial. A PMAL reforça que a população pode acionar o 190 ou o Disque 100 (Direitos Humanos) para relatar suspeitas de violência contra crianças. A Secretaria de Estado da Prevenção à Violência (Seprev) de Alagoas, por sua vez, mantém programas de atendimento a vítimas, mas enfrenta desafios de capilaridade e recursos. A situação do menino, agora sob cuidados de familiares ou de abrigo provisório, depende de uma avaliação do Conselho Tutelar, que deve definir o encaminhamento mais adequado. Enquanto isso, o casal preso aguarda audiência de custódia, podendo responder por lesão corporal grave e maus-tratos, com penas que variam de 2 a 8 anos de reclusão, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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