Crise Aérea no Brasil: Fluxo de Passageiros Domésticos Deve Cair Abaixo de 90 Milhões, Alerta Iata

A Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos) prevê que o fluxo de passageiros em voos domésticos no Brasil cairá para menos de 90 milhões de pessoas, reflexo direto do alto custo das passagens aéreas que reduz a demanda no mercado doméstico brasileiro. A projeção, divulgada em 6 de junho de 2026, acende alertas sobre os desafios estruturais do setor aéreo no país, que já enfrenta concentração de mercado e custos operacionais elevados.

De acordo com a entidade, a redução no número de viajantes representa um revés para a retomada do setor pós-pandemia e contrasta com as expectativas de crescimento do turismo interno. A queda projetada para menos de 90 milhões de passageiros anuais evidencia que o encarecimento das tarifas, impulsionado por fatores como preço do querosene de aviação, câmbio desfavorável e alta carga tributária, tem afastado consumidores, especialmente das classes média e baixa.

Panorama Político e Econômico

O cenário ocorre em meio a um debate nacional sobre a necessidade de políticas públicas para baratear o transporte aéreo e estimular a conectividade regional. Enquanto o governo federal discute medidas como a redução de impostos sobre combustíveis e a ampliação de rotas para aeroportos secundários, a Iata ressalta que, sem ações concretas, o Brasil pode perder competitividade no setor. A situação também impacta diretamente o turismo, setor que vinha se recuperando com iniciativas como a isenção de vistos para turistas chineses, mas que agora enfrenta um gargalo interno.

A associação destaca que a queda na demanda doméstica não é isolada, mas parte de um contexto global de transformações comerciais e resiliência econômica, conforme apontado em análises recentes sobre a economia global. No Brasil, a concentração do mercado aéreo em poucas companhias e a volatilidade dos preços dos combustíveis agravam o problema, tornando o transporte aéreo um luxo para parte da população. A Iata reforça que a recuperação plena do setor depende de reformas estruturais e de um ambiente regulatório mais favorável.

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