Três anos após o início da crise que abalou o mercado financeiro brasileiro, a investigação sobre a fraude contábil bilionária da Americanas avança em ritmo lento na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que mantém em curso sete procedimentos administrativos sobre o caso. Nesta quinta-feira (25), a Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal (PF), cumpriu mandados contra bancos e representantes do conselho de administração da varejista, ampliando o cerco a instituições financeiras e ex-integrantes do colegiado que teriam participado ou se beneficiado do esquema de maquiagem contábil.
Os procedimentos da CVM correm em sigilo e, segundo fontes ouvidas pela reportagem, enfrentam dificuldades para reunir provas documentais e depoimentos de executivos que ocupavam cargos-chave à época dos fatos. A lentidão contrasta com a gravidade do escândalo, que envolveu um rombo estimado em mais de R$ 40 bilhões e levou a Americanas a pedir recuperação judicial em janeiro de 2023. A Operação Disclosure, por sua vez, mira a suposta omissão de informações relevantes ao mercado por parte de bancos como BTG Pactual, Bradesco, Itaú e Santander, além de conselheiros que integravam o board da Americanas no período em que as fraudes ocorreram.
Panorama político e econômico
O caso Americanas expõe fragilidades na regulação do mercado de capitais brasileiro e reacende o debate sobre a necessidade de reformas na governança corporativa e na fiscalização de grandes empresas. A demora nas investigações da CVM ocorre em um contexto de pressão por maior transparência e punições mais rápidas, especialmente após outros escândalos contábeis, como o da Lojas Renner e da IRB Brasil. No âmbito político, o caso mobiliza o Congresso Nacional, que discute projetos de lei para endurecer as penas por fraudes financeiras e ampliar os poderes da CVM. A Operação Disclosure representa um avanço, mas especialistas apontam que a atuação conjunta entre PF, Ministério Público Federal (MPF) e CVM ainda carece de maior coordenação para evitar a prescrição de crimes e garantir a responsabilização de todos os envolvidos.
Os valores envolvidos na fraude – estimados em R$ 40 bilhões – e o impacto sobre acionistas minoritários, funcionários e credores tornam o caso um dos maiores escândalos corporativos da história do Brasil. A lentidão das investigações na CVM, órgão responsável por aplicar multas e inabilitar administradores, levanta questionamentos sobre a efetividade do sistema de fiscalização do mercado financeiro. Enquanto isso, a Operação Disclosure promete trazer novos elementos, mas o desfecho do caso ainda parece distante, mantendo a incerteza sobre o futuro da Americanas e a confiança dos investidores no país.
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