Crise de patrocínio na Parada LGBT+ de SP força busca por verbas de parlamentares

A Parada do Orgulho LGBT+, realizada desde 1997 na avenida Paulista, em São Paulo, enfrenta uma crise financeira sem precedentes: perdeu 60% dos patrocínios corporativos e agora busca verbas de parlamentares para compensar o rombo. Segundo a organização do evento, nas edições de 2022 e 2023, a Parada amealhou cerca de R$ 5 milhões com sete marcas em cada temporada, realidade distante dos R$ 2 milhões estimados para este ano, em que a Amstel, do grupo Heineken, e a L’Oréal são as únicas patrocinadoras.

A saída de multinacionais como Google, Netflix e Itaú — que apoiaram o evento nos anos anteriores — reflete um cenário político global mais conservador, agravado pela eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e pelo fortalecimento de pautas antigênero no Brasil. A queda de arrecadação, de R$ 5 milhões para R$ 2 milhões, representa um corte de 60% no orçamento, impactando diretamente a estrutura do evento, que reúne milhões de pessoas na capital paulista.

Panorama político e impacto financeiro

A crise de patrocínio não é isolada. Nos últimos dois anos, o movimento LGBT+ brasileiro tem enfrentado ataques coordenados de bancadas conservadoras no Congresso Nacional, que tentam cortar verbas de políticas públicas voltadas à diversidade. Ao mesmo tempo, a saída de grandes marcas — muitas delas sob pressão de grupos religiosos nos EUA — sinaliza um recuo no investimento em causas sociais. A organização da Parada, então, recorre a emendas parlamentares de deputados e senadores aliados, como Erika Hilton (PSOL-SP) e David Miranda (PDT-RJ), para garantir a realização do evento em 2026.

Dados da Associação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo indicam que, sem os R$ 3 milhões perdidos, a estrutura de palcos, banheiros químicos, segurança e triagem médica será reduzida em 40%. A expectativa é que o evento, marcado para 20 de junho, ainda ocorra, mas com menos atrações e menor capacidade de acolhimento ao público.

Resposta das marcas e movimentos sociais

Procuradas, a Amstel e a L’Oréal confirmaram o patrocínio, mas não detalharam os valores. Já as marcas que saíram, como Google Brasil e Netflix, não comentaram o motivo da desistência. Em nota, a Rede de Apoio à Diversidade criticou a postura das empresas: “O discurso de inclusão não pode ser apenas para momentos de bonança econômica. A saída agora é um tapa na cara da comunidade”.

A busca por verbas parlamentares, porém, divide opiniões. Enquanto organizadores veem como saída emergencial, críticos apontam risco de politização do evento. “A Parada sempre foi apartidária. Depender de emendas pode amarrar a agenda a interesses eleitorais”, alerta o cientista político João Paulo de Oliveira, da USP.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *