A Maternidade Santa Mônica, referência em gestação de alto risco no estado, enfrenta uma grave crise operacional, funcionando sem aparelho de ultrassom e com problemas no equipamento de raio-X, enquanto o governo estadual autorizou um repasse de R$ 7 milhões para a saúde do município de Batalha, cidade natal do governador Paulo Dantas. A informação foi divulgada pelo portal Frances News, que teve acesso aos documentos oficiais.
A situação na Maternidade Santa Mônica, que atende centenas de gestantes de todo o estado, é crítica. A falta de ultrassom impede a realização de exames essenciais para o acompanhamento de gestações de alto risco, enquanto o raio-X, fundamental para diagnósticos de emergência, opera com falhas recorrentes. Profissionais da unidade relataram que a demora na manutenção e na aquisição de novos equipamentos tem comprometido diretamente a qualidade do atendimento, colocando em risco a saúde de mães e bebês.
Em contraste, o governo estadual autorizou o repasse de R$ 7 milhões para a saúde de Batalha, município de cerca de 17 mil habitantes, localizado no sertão alagoano. A verba, segundo a portaria publicada no Diário Oficial, destina-se a ações de média e alta complexidade, incluindo aquisição de equipamentos e custeio de serviços. Batalha é conhecida como reduto político de Paulo Dantas, que nasceu na cidade e mantém forte base eleitoral na região.
Panorama político e impacto na saúde pública
A disparidade entre os investimentos levanta questionamentos sobre os critérios de distribuição de recursos na saúde pública estadual. Enquanto a Maternidade Santa Mônica, que atende a uma demanda muito maior e de maior complexidade, enfrenta escassez de equipamentos básicos, um município de pequeno porte recebe uma quantia expressiva para a sua realidade. Especialistas em gestão pública apontam que a decisão pode refletir prioridades políticas em detrimento das necessidades técnicas e epidemiológicas.
O governo estadual, por meio da Secretaria de Saúde, afirmou que os recursos para Batalha seguem critérios técnicos e que a Maternidade Santa Mônica está em processo de licitação para aquisição de novos equipamentos. No entanto, a crise na unidade persiste, e não há prazo definido para a normalização dos serviços. A oposição na Assembleia Legislativa já anunciou que vai cobrar explicações formais sobre a alocação dos recursos e a situação da maternidade.
O caso expõe um dilema recorrente na administração pública: como equilibrar investimentos em regiões de menor porte, que também necessitam de atenção, sem comprometer unidades de referência que atendem a uma parcela muito maior da população. Enquanto isso, as gestantes que dependem da Maternidade Santa Mônica continuam sem acesso a exames fundamentais, em meio a um cenário de incertezas e contrastes na gestão da saúde em Alagoas.
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