O ministro dos Transportes, Renan Filho, cumpriu entre os dias 10 e 14 de março uma extensa agenda de visitas a nove municípios do Litoral Norte e do Alto Sertão de Alagoas, em uma iniciativa que mescla anúncios de obras federais, encontros com prefeitos e ações de articulação política. A programação, que incluiu passagens por Maragogi, Japaratinga, Porto Calvo, Novo Lino, Colônia Leopoldina, Ibateguara, Palmeira dos Índios, Estrela de Alagoas e Minador do Negrão, foi marcada por promessas de investimentos em infraestrutura rodoviária e rural, mas também por críticas da oposição quanto à baixa adesão popular em alguns eventos e à ausência de projetos concretos já em execução.
Durante a passagem por Maragogi, um dos principais polos turísticos do estado, Renan Filho participou de uma caminhada que, segundo relatos de moradores e da imprensa local, teve baixa adesão, gerando debates nas redes sociais sobre a real popularidade do ministro na região. A prefeitura local, no entanto, destacou a importância da visita para a liberação de recursos federais, como a pavimentação de estradas rurais e a construção de um novo mercado público, anunciados durante a Caravana no Litoral Norte. Em Japaratinga e Porto Calvo, o ministro se reuniu com prefeitos e vereadores para discutir projetos de mobilidade urbana e saneamento básico, mas sem apresentar cronogramas ou valores específicos.
No Alto Sertão, a agenda incluiu visitas a cidades como Palmeira dos Índios e Estrela de Alagoas, onde Renan Filho participou de solenidades de entrega de equipamentos agrícolas e anunciou investimentos em estradas vicinais. Em Minador do Negrão, o ministro se encontrou com lideranças rurais para tratar de melhorias no escoamento da produção, mas não detalhou fontes de financiamento. A ausência de anúncios de grande porte, como duplicações de rodovias ou obras de grande vulto, foi notada por analistas políticos, que apontam a agenda como uma tentativa de fortalecer a base eleitoral do governo federal em áreas historicamente dominadas por grupos de oposição.
A oposição, por sua vez, reagiu com críticas à falta de transparência nos valores e prazos das obras prometidas. O deputado estadual Joãozinho Pereira (PSDB) afirmou que “a população está cansada de promessas vazias e de visitas que servem apenas para fotos e discursos”. Já o senador Rodrigo Cunha (Podemos) destacou que “o governo federal precisa apresentar resultados concretos, não apenas agendas de campanha”. Em contrapartida, aliados do ministro, como o deputado federal Marx Beltrão (PP), defenderam a iniciativa, classificando-a como “um gesto de compromisso com o desenvolvimento regional”.
O panorama político em Alagoas, marcado por disputas acirradas entre as bases do governador Paulo Dantas (MDB) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), torna cada movimento de Renan Filho alvo de interpretações eleitorais. A agenda por nove municípios, embora oficialmente justificada como técnica, ocorre em um momento de pré-campanha para as eleições municipais de 2024, o que reforça a percepção de que o ministro busca consolidar sua influência no estado. Enquanto isso, a população aguarda a efetivação dos investimentos anunciados, que, segundo dados oficiais, somam cerca de R$ 120 milhões em obras de infraestrutura, mas cujos prazos de conclusão ainda não foram divulgados.
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