Crise no clã Bolsonaro: Michelle rompe com Flávio e denuncia desrespeito e maltrato em pré-campanha presidencial

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou nesta quarta-feira (24) que seu enteado mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a desrespeitou, maltratou e deixou subentendido que não queria o apoio dela para sua pré-candidatura a presidente da República. Em dois vídeos publicados nas redes sociais, Michelle critica a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato a governador do Ceará, e fala dos ataques feitos pelos enteados após o apoio dela ao senador Eduardo Girão (Novo-CE).

A declaração pública de Michelle expõe uma crise familiar e política no clã Bolsonaro, em um momento em que o PL busca consolidar alianças regionais para as eleições de 2026. O partido, que tem como principal liderança o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tenta equilibrar as pré-candidaturas de Flávio ao Palácio do Planalto com acordos com outras legendas, como o PSDB de Ciro Gomes no Ceará.

Nos vídeos, Michelle afirma que Flávio a tratou com desrespeito e que entendeu que ele não queria seu apoio político. A ex-primeira-dama, que tem se destacado como uma das principais articuladoras do PL entre o eleitorado evangélico e feminino, disse que os ataques vieram após ela declarar apoio a Eduardo Girão, adversário de Ciro Gomes na disputa pelo governo cearense. A aliança do PL com Ciro, um ex-aliado do PT, tem gerado controvérsia entre setores mais conservadores do partido.

Panorama político e impacto da crise

O racha público entre Michelle e Flávio ocorre em um contexto de disputa interna no PL pelo controle da narrativa e das alianças para 2026. Enquanto Flávio busca se viabilizar como herdeiro político de Jair Bolsonaro, Michelle tem ampliado sua influência própria, especialmente após a saída do ex-presidente do centro do poder. A aliança com Ciro Gomes no Ceará é vista como uma tentativa do PL de ampliar sua base no Nordeste, mas enfrenta resistência de setores que consideram a parceria contraditória com o discurso anticorrupção e antipetista do partido.

Eduardo Girão, por sua vez, é um senador do Novo que tem se aproximado de Michelle e de pautas conservadoras. O apoio dela a Girão é interpretado como um movimento para fortalecer uma alternativa a Flávio dentro da direita, o que acirra a disputa familiar. A crise também expõe fragilidades na estratégia do PL para 2026, que precisa conciliar as ambições de Flávio com a necessidade de manter a unidade do partido e a base de apoio de Jair Bolsonaro.

Até o momento, Flávio Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre as acusações de Michelle. O PL também não emitiu nota oficial. A expectativa é de que o episódio force uma mediação interna, possivelmente com a intervenção de Jair Bolsonaro, que até agora se manteve em silêncio. A crise pode ter impacto direto na pré-campanha de Flávio, que já enfrenta desafios para consolidar seu nome como candidato único da direita.

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