Crise no PL: Valdemar revela que Michelle Bolsonaro pode desistir de candidatura ao Senado e critica postura da ex-primeira-dama

O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (2), em entrevista à Rádio Gaúcha, que Michelle Bolsonaro não deseja participar da campanha de Flávio Bolsonaro e que a ex-primeira-dama pode desistir de disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. A declaração ocorre em meio a um racha público entre Michelle e Flávio, exposto em vídeos nas redes sociais, e acende alertas sobre a coesão do bolsonarismo no principal partido de oposição ao governo Lula.

“Eu sinto que ela não quer participar”, declarou Valdemar ao ser questionado sobre a presença de Michelle na campanha de Flávio. Apesar do tom de incerteza, o dirigente partidário afirmou que a situação entre os dois está resolvida. “O Flávio está tocando a campanha para frente, a Michelle resolveu sair da presidência do PL Mulher e nós estamos tocando a nossa vida”, completou. A saída de Michelle do comando do PL Mulher, segundo Valdemar, representa uma perda significativa para a legenda. “Ela fez um trabalho no PL Mulher que eu não sei se outra mulher teria condições de fazer”, disse, em tom de elogio, mas com evidente preocupação com o impacto eleitoral.

Embate interno expõe fissuras no bolsonarismo

A crise teve início na quarta-feira (24), quando Michelle publicou um depoimento em suas redes sociais afirmando ter sido “maltratada e humilhada” por Flávio. Em dois vídeos, ela expôs uma briga que, segundo ela, os mantém sem se falar desde o fim de 2025. A discórdia central envolve a disputa pelo palanque do PL no Ceará, onde o partido tentou se aliar ao ex-governador Ciro Gomes (PSDB) – apoio criticado por Michelle. A ex-primeira-dama negou que o depoimento tenha sido motivado por ambição de substituir Flávio como presidenciável, rebatendo “fofoqueiros vazadores” de informação.

Valdemar confirmou que Michelle comunicou pessoalmente, na terça-feira (30), o desejo de deixar a presidência do PL Mulher e indicou que talvez não fosse candidata ao Senado. “Ela me disse que queria sair da presidência do partido. Eu não tenho o que fazer, que talvez não fosse candidata a senadora”, afirmou. O presidente do PL também criticou Michelle por compartilhar um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (Republicanos), sobre festas que teriam sido promovidas por Vorcaro – referência ao empresário João Vorcaro, do Banco Master, pivô de controvérsias envolvendo Flávio. “Olha, ela fez muito mal de pôr o vídeo do Garotinho. O Garotinho não tem credibilidade”, disse Valdemar, que classificou a atitude como “desaprovada”. “O posicionamento da presidente Michelle, e eu tenho ela no melhor conceito do mundo, foi desaprovado”, completou.

Panorama político: racha expõe fragilidade da oposição

O embate entre Michelle e Flávio Bolsonaro ocorre em um momento delicado para a oposição, que busca se reorganizar após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 e as investigações que miram o ex-presidente. O PL, maior partido de oposição, tenta equilibrar as ambições de diferentes alas do bolsonarismo, enquanto enfrenta pressão de setores mais radicais e de lideranças evangélicas, que veem em Michelle uma figura de peso. A saída dela da presidência do PL Mulher e a possível desistência da candidatura ao Senado podem enfraquecer a estratégia do partido de ampliar a bancada feminina e consolidar a base conservadora.

Flávio, por sua vez, busca se firmar como presidenciável, mas o racha com a madrasta expõe divisões internas que podem ser exploradas por adversários. Valdemar tentou minimizar o impacto, afirmando que Flávio reconhece que não deveria ter procurado Vorcaro mesmo após a prisão do empresário, mas insistiu que o Banco Master não estava sob acusação quando o dinheiro foi solicitado. A declaração não dissipa as dúvidas sobre a relação do senador com o banqueiro, alvo de investigações da Polícia Federal.

O episódio também reacende o debate sobre a influência de Michelle no partido. Ex-primeira-dama e figura de destaque entre evangélicos, ela tem capital político próprio, mas o embate com Flávio pode custar caro ao PL. Enquanto isso, a base bolsonarista acompanha com apreensão os desdobramentos, temendo que a crise interna abra espaço para o avanço de outras forças políticas, como o centrão e a esquerda, nas eleições de 2026.

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