O Parlamento cubano aprovou nesta quinta-feira (18), por unanimidade, em uma reunião extraordinária, um amplo programa de reformas em favor do livre mercado, uma mudança inédita para a ilha comunista mergulhada em uma profunda crise econômica, sob pressão de Washington. A decisão, que especialistas classificam como a maior reforma econômica em Cuba desde 1959, representa um ponto de inflexão no modelo socialista cubano e promete reconfigurar as relações entre Estado e setor privado na ilha.
A aprovação ocorre em um contexto de agravamento da crise econômica, com escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos, além de uma inflação descontrolada que corroeu o poder de compra da população. O pacote de reformas, que ainda precisa ser detalhado em leis complementares, prevê a ampliação do espaço para a iniciativa privada, a flexibilização de regras para investimentos estrangeiros e a redução do monopólio estatal em setores estratégicos, como comércio e serviços.
Pressão externa e crise interna
A decisão do Parlamento cubano ocorre em meio a uma escalada de pressão do governo dos Estados Unidos, que nos últimos meses intensificou sanções econômicas e retomou a retórica de isolamento contra a ilha. A administração de Donald Trump, que classificou Cuba como uma “ditadura”, endureceu as restrições a viagens, remessas e negócios, agravando a já frágil situação econômica do país. Especialistas apontam que a combinação de crise interna e pressão externa forçou o governo cubano a buscar alternativas para evitar o colapso total da economia.
O programa de reformas, que foi discutido em sessões fechadas do Partido Comunista de Cuba, representa uma guinada em relação ao modelo centralizado adotado desde a revolução de 1959. Embora o governo de Miguel Díaz-Canel tenha implementado medidas de abertura econômica nos últimos anos, como a legalização de pequenos negócios e a unificação cambial, o pacote atual é visto como o mais abrangente já proposto, com potencial para transformar a estrutura produtiva do país.
Impactos e reações
Analistas ouvidos pela imprensa internacional destacam que as reformas podem atrair investimentos estrangeiros e estimular a produção local, mas alertam para os riscos de aumento da desigualdade e de dependência externa. A oposição cubana no exílio, por sua vez, criticou as medidas como insuficientes e acusou o governo de tentar salvar o regime sem abrir mão do controle político. Já setores empresariais da ilha veem a abertura como uma oportunidade para reativar a economia e gerar empregos, em um momento em que a taxa de desemprego e a informalidade atingem níveis recordes.
A aprovação unânime no Parlamento, dominado pelo Partido Comunista, indica que a cúpula do governo está alinhada em torno da necessidade de mudanças, mas a implementação prática das reformas ainda enfrenta desafios, como a burocracia estatal e a resistência de setores mais ortodoxos do regime. A comunidade internacional, incluindo organismos como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, acompanha de perto os desdobramentos, enquanto Cuba busca renegociar sua dívida externa e retomar acordos comerciais com parceiros como a União Europeia e a China.
Fonte: ver noticia original

