Datafolha: 50% dos eleitores veem risco de interferência estrangeira nas eleições de 2026

Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (23) revela que, para 50% dos eleitores brasileiros, há chance de outros países interferirem na eleição presidencial de 2026. Desses, 32% consideram essa possibilidade um problema, enquanto 18% não veem isso como algo negativo. O levantamento, que ouviu 2.058 pessoas entre os dias 18 e 20 de agosto, ocorre em meio a um cenário de conflitos diplomáticos abertos com a Argentina e os Estados Unidos.

Os números completos do levantamento mostram que 43% dos entrevistados acreditam que não há chance de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro, enquanto 8% não souberam ou não responderam. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04496/2026.

Percepção entre eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro

A pesquisa também segmentou as respostas de acordo com a intenção de voto dos eleitores. Entre aqueles que declaram voto em Lula, 36% avaliam que há chance de interferência estrangeira e que isso é um problema, enquanto 10% acreditam que há chance, mas não veem isso como algo negativo. Outros 44% dos eleitores de Lula avaliam que não há chance de interferência estrangeira.

Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 25% consideram que há chance de interferência e que isso é um problema, enquanto 31% dizem que há chance, mas que não é um problema. Outros 38% dos eleitores de Flávio Bolsonaro avaliam que não há chance de interferência estrangeira no pleito.

Contexto de tensões diplomáticas

A divulgação da pesquisa acontece em um momento de relações delicadas com dois parceiros tradicionais do Brasil. No início de agosto, após repetidos ataques do presidente argentino Javier Milei a Lula, o Itamaraty informou ao embaixador argentino, Guillermo Daniel Raimondi, que o governo brasileiro fará tratativas apenas com o encarregado de negócios argentino em Brasília, num claro rebaixamento das relações bilaterais.

No mesmo período, o governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Com a medida, a diplomata terá que solicitar um novo visto para entrar nos Estados Unidos caso saia do país. Segundo o governo americano, a ação foi adotada em “reciprocidade” à demora do Brasil em conceder autorização ao indicado por Trump para o cargo de embaixador dos EUA no Brasil.

O cenário de desconfiança sobre interferência externa não é um fenômeno isolado. Pesquisas anteriores já indicavam a preocupação do eleitorado com a integridade do processo eleitoral. Um levantamento do Datafolha recente mostrou que 56% dos eleitores afirmam que votariam nas eleições de 2026 mesmo se o voto não fosse obrigatório, o que demonstra um engajamento político significativo em um ambiente de polarização.

O debate sobre a confiabilidade das pesquisas e a influência de fatores externos também ganha relevância. Enquanto institutos como o Datafolha e a AtlasIntel buscam capturar a intenção de voto com metodologias científicas, a discussão sobre a transparência e a divulgação dos dados se intensifica, especialmente em um ano eleitoral marcado por tensões geopolíticas e pela disputa narrativa sobre a soberania nacional.

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