Datafolha revela divisão no Brasil sobre classificação de facções como terroristas pelos EUA

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas tem mais apoio no Brasil entre homens, evangélicos e eleitores que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022, aponta a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada nesta terça-feira (23 de junho de 2026). O levantamento, que ouviu 2.556 eleitores em 181 municípios brasileiros entre os dias 17 e 18 de junho, revela uma clara divisão na opinião pública sobre o tema, com implicações diretas para o debate sobre segurança pública e política externa no país.

De acordo com os dados, 48% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte com a medida americana, enquanto 38% discordam e 14% não souberam opinar. Entre os homens, o apoio sobe para 55%, contra 42% das mulheres. Já entre os evangélicos, o índice de concordância atinge 61%, superando a média nacional e contrastando com os 39% registrados entre católicos. O recorte político é ainda mais expressivo: 72% dos eleitores de Bolsonaro em 2022 aprovam a classificação, ante 31% dos que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no mesmo pleito.

A pesquisa também aponta que a concordância é maior entre os mais escolarizados (56% entre os com ensino superior) e entre os que se declaram brancos (52%), enquanto entre os pretos e pardos o índice cai para 43%. Regionalmente, o apoio é mais forte no Sul (54%) e no Sudeste (51%), e menor no Nordeste (40%) e no Norte/Centro-Oeste (44%). Esses números refletem não apenas a polarização política herdada das eleições de 2022, mas também as diferentes percepções sobre o papel dos Estados Unidos na região e o impacto da medida na soberania nacional.

A classificação das facções como terroristas pelos EUA, anunciada em maio pelo governo de Donald Trump, gerou reações diversas no Brasil. Enquanto setores da oposição, como parlamentares do PL e do PP, resgataram projetos de lei para reconhecer as facções como terroristas também em território nacional, o governo Lula adotou uma postura cautelosa, defendendo que a decisão cabe ao Brasil e que a medida americana pode interferir em investigações e acordos de cooperação. O Ministério da Justiça e a Polícia Federal já haviam sinalizado que a classificação unilateral pode complicar o combate ao crime organizado, especialmente em áreas de fronteira.

O debate ganha contornos ainda mais complexos em um ano eleitoral, com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando. A pesquisa Datafolha sugere que o tema pode ser usado como bandeira política, especialmente entre os eleitores mais alinhados à direita. Para analistas, a medida americana também expõe as fragilidades do sistema de justiça criminal brasileiro e a necessidade de uma política de segurança pública mais integrada, que vá além do enfrentamento militarizado e considere as causas sociais do crime. Enquanto isso, as facções seguem expandindo sua atuação para outros países da América Latina, como Paraguai e Bolívia, o que torna a cooperação internacional um ponto central do debate.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *