Defesa de ministro afastado do STJ contesta acusações de assédio sexual e aponta contradições em depoimentos

Em sua primeira entrevista desde que o caso de assédio veio a público, a advogada de Marco Buzzi, ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Maria Fernanda Saad Ávila, contesta as acusações de assédio e importunação sexual feitas por duas mulheres e afirma que registros de entrada no STJ e dificuldades de locomoção do magistrado contradizem os relatos. O plenário da Corte julgará na próxima quinta-feira (6) um processo administrativo que pode resultar no afastamento definitivo de Buzzi do cargo.

Duas denúncias contra o magistrado estão em análise: uma jovem de 18 anos afirma ter sido vítima de importunação sexual durante um banho de mar, em janeiro de 2026, quando passava férias com a família na casa de Buzzi em Balneário Camboriú (SC); e uma ex-funcionária de gabinete relatou episódios reiterados de assédio sexual e importunação cometidos enquanto trabalhava na equipe do magistrado no STJ. Em paralelo, Buzzi é alvo de dois inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF): um sob suspeita de importunação sexual, por causa desses mesmos fatos, e outro sob suspeita de envolvimento em um esquema de venda de sentenças.

Defesa aponta contradições e dificuldades de locomoção

Em entrevista ao g1, a advogada Maria Fernanda Saad Ávila afirmou que Buzzi nega a existência de qualquer contato físico da natureza descrita nas denúncias. Sobre o episódio em Santa Catarina, ela disse que houve apenas um contato de auxílio para entrada e saída do mar, de mãos dadas, devido a dificuldades motoras do ministro. “Ele tem dificuldades motoras. Quem já o viu sabe que ele usa bengala, além de uma palmilha por ter o encurtamento de uma perna. Especialmente na praia, em que ele não faz uso de nenhum desses dois auxílios, ele geralmente…”, explicou a defensora.

Uma das principais alegações da defesa é que Buzzi não ficou sozinho em seu gabinete com a ex-funcionária que o acusa. A advogada tem visitado os gabinetes dos ministros do STJ nesta semana para apresentar os argumentos, incluindo registros de entrada que, segundo ela, contradizem as acusações.

Panorama político e judicial

O caso de Marco Buzzi ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre a conduta de magistrados no Brasil. O julgamento no STJ, que pode resultar em afastamento definitivo, ocorre paralelamente a investigações criminais no STF, incluindo suspeitas de venda de sentenças. A situação expõe tensões no sistema judiciário e levanta debates sobre a responsabilização de autoridades por assédio e importunação sexual. A defesa, por sua vez, busca demonstrar que as acusações são inconsistentes e que o ministro não teve oportunidade de cometer os atos descritos.

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