Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado (16) pelo jornal “Folha de S.Paulo”, revela um cenário de intensa polarização e um empate técnico na corrida presidencial de 2026, com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputando voto a voto. O levantamento aponta Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 35%, configurando uma margem estreita que promete acirrar ainda mais o debate político nos próximos meses, especialmente considerando que a maior parte das entrevistas foi realizada antes da repercussão das recentes revelações sobre o senador.
O contexto da pesquisa é crucial, pois a maioria das entrevistas foi concluída antes da divulgação, na última quarta-feira (13), de conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A reportagem do site “Intercept Brasil” trouxe à tona que o parlamentar do PL teria solicitado ao empresário recursos para financiar o filme “Dark Horse”, uma produção sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a denúncia, Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões para o projeto, embora o senador negue qualquer irregularidade na transação.
A comparação com o levantamento anterior, realizado em abril, mostra uma estabilidade nos números principais, com Lula apresentando uma leve queda de 39% para 38%, e Flávio Bolsonaro mantendo seus 35%. Essa consistência sugere que, apesar das movimentações políticas e das denúncias, o eleitorado permanece dividido entre as duas principais forças políticas do país. No cenário de segundo turno, a disputa se mantém igualmente apertada, com ambos os pré-candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro, alcançando 45% das intenções de voto, indicando um embate direto e sem grandes oscilações.
Metodologia e Outros Candidatos
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em todo o território nacional, entre a terça-feira (12) e a quarta-feira (13). A pesquisa possui uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%, e está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00290/2026.
No cenário principal de primeiro turno, além dos líderes, outros nomes buscam consolidar suas posições. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aparecem ambos com 3% das intenções de voto. O pré-candidato Renan Santos (Missão) registra 2%.
Em um segundo cenário testado pelo instituto, que inclui o ex-ministro Ciro Gomes (MDB), a dinâmica da disputa se altera ligeiramente, mas o empate técnico entre os líderes persiste. Neste panorama, Lula alcança 37%, enquanto Flávio Bolsonaro tem 34%. Ciro Gomes, por sua vez, aparece com 5% das intenções de voto. Romeu Zema (Novo) registra 4%, Ronaldo Caiado (PSD) com 2%, Ciro com 2%; e Renan Santos (Missão) com 2%.
Panorama Político e Rejeição
A pesquisa Datafolha também explorou as menções espontâneas, onde os entrevistados não recebem uma lista de pré-candidatos. Neste quesito, Lula lidera com 27% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 18%. O ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente inelegível, ainda é lembrado por 3% dos eleitores, e Ronaldo Caiado por 1%. Um dado significativo é que 39% dos entrevistados afirmam não saber em quem pretendem votar espontaneamente, evidenciando uma parcela considerável de eleitores ainda indecisos ou desengajados.
No que tange ao índice de rejeição, o presidente Lula aparece à frente, com 47% dos entrevistados declarando que não votariam nele “de jeito nenhum”. Flávio Bolsonaro registra uma rejeição de 43%. Outros nomes também apresentam índices consideráveis: Ciro Gomes (MDB) com 20%, Romeu Zema (Novo) com 15%, Cabo Daciolo com 14%, Ronaldo Caiado (PSD) com 13%, e Rui Costa Pimenta (PCO) com 12%.
Este cenário eleitoral, delineado pelo Datafolha, reflete uma nação profundamente dividida e um processo eleitoral de 2026 que se anuncia como um dos mais disputados da história recente do Brasil. A persistência da polarização entre as vertentes representadas por Lula e Flávio Bolsonaro, somada ao impacto de denúncias e à busca por espaço de outros candidatos, configura um panorama político volátil. A corrida presidencial está apenas começando, e os próximos meses serão decisivos para a consolidação ou alteração dessas tendências, com cada evento e revelação potencialmente influenciando a percepção do eleitorado e o futuro do país.
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