O senador Renan Calheiros (MDB-AL) acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) para tentar barrar a divulgação de uma pesquisa eleitoral encomendada pelo instituto Paraná Pesquisas no estado. A ação, protocolada pelo MDB, aponta supostas irregularidades na metodologia do levantamento, que poderia influenciar o cenário político local às vésperas das eleições de 2026. O caso reacende a disputa pelo controle da narrativa eleitoral em Alagoas, onde as pesquisas de opinião pública têm peso estratégico na definição de alianças e candidaturas.
De acordo com a representação, o partido alega que a pesquisa do Paraná Pesquisas não teria seguido os critérios técnicos exigidos pela legislação eleitoral, como a transparência na coleta de dados e a representatividade da amostra. O MDB pede a suspensão imediata da divulgação dos resultados e, se necessário, a aplicação de multa ao instituto. A ação foi distribuída para a relatoria do juiz eleitoral Marcelo Cavalcante, que ainda não se manifestou sobre o pedido.
Panorama político em Alagoas
A movimentação de Renan Calheiros ocorre em um contexto de intensa polarização em Alagoas, onde as eleições de 2026 já mobilizam as principais forças políticas. O estado, que tem histórico de disputas acirradas entre os clãs Calheiros e Lira, vê nas pesquisas um termômetro crucial para as estratégias de campanha. Enquanto o MDB busca fortalecer a candidatura de Renan Filho (MDB), ex-governador e atual ministro dos Transportes, o PP de Arthur Lira (PP-AL) também articula alianças para manter a hegemonia no estado.
O Paraná Pesquisas, um dos institutos mais atuantes no país, já havia divulgado levantamentos anteriores em Alagoas que apontavam cenários favoráveis a Renan Filho. A tentativa de barrar a nova pesquisa, no entanto, sugere que o MDB teme que os dados possam ser usados por adversários para desgastar a imagem do grupo político. A ação também levanta questionamentos sobre a judicialização das pesquisas eleitorais, prática que tem se tornado comum em estados onde a disputa é acirrada.
O Tribunal de Justiça de Alagoas, que recentemente se destacou entre os dez mais produtivos do Brasil, terá que lidar com mais um caso de alta repercussão política. A decisão do TRE-AL sobre a pesquisa do Paraná Pesquisas pode estabelecer precedentes para futuras contestações e influenciar o calendário eleitoral. Enquanto isso, os bastidores da política alagoana fervem com especulações sobre alianças e candidaturas, em um jogo que promete se intensificar nos próximos meses.
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