A disputa pelo Governo de Alagoas ganhou um novo campo de batalha: os tribunais. Em apenas dois dias, a Coligação Alagoas Gigante, que reúne partidos do grupo de JHC, apresentou duas novas ações no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) contra veículos de comunicação, jornalistas e perfis que publicaram conteúdos relacionados à eleição. As ações, protocoladas em 26 de agosto de 2026, miram um total de 17 veículos, ampliando a ofensiva judicial do grupo político.
Segundo a Folha de Alagoas, que publicou a notícia original, o movimento é visto como parte de uma estratégia mais ampla para coibir a divulgação de informações consideradas prejudiciais à campanha. A coligação, que formaliza a aliança partidária em torno da pré-candidatura de JHC ao governo estadual, tem utilizado a via judicial como instrumento para contestar conteúdos veiculados na imprensa e nas redes sociais.
Panorama da ofensiva judicial
As novas ações somam-se a uma série de outras já movidas pelo grupo. O padrão, segundo analistas, é o acionamento rápido de veículos e jornalistas após a publicação de matérias ou posts com teor crítico ou investigativo. Os processos, em sua maioria, pedem direito de resposta, retratação ou indenizações por danos morais, com base na legislação eleitoral.
Entre os alvos estão portais de notícias, blogs, perfis em redes sociais e profissionais de imprensa. A lista exata dos 17 veículos não foi divulgada integralmente na reportagem original, mas a dimensão do número indica uma escalada na judicialização da campanha eleitoral alagoana.
Contexto político e jurídico
A ofensiva ocorre em um momento de acirramento da disputa pelo Executivo estadual. JHC, que é pré-candidato ao governo, lidera as pesquisas de intenção de voto, segundo levantamentos recentes, mas enfrenta resistência de setores da imprensa e de adversários políticos. A coligação Alagoas Gigante, que agrega diferentes legendas, tem usado o discurso de defesa da honra e da verdade para justificar as ações.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela reportagem apontam que a prática de processar veículos de comunicação em massa pode ter efeito inibidor sobre a liberdade de imprensa, especialmente em um período eleitoral. Por outro lado, defensores da medida argumentam que candidatos e coligações têm o direito de se defender de conteúdos falsos ou difamatórios.
O TRE-AL ainda não se manifestou publicamente sobre as novas ações. A tendência é que os processos sejam analisados individualmente, com decisões liminares podendo sair nos próximos dias. A coligação, por sua vez, promete seguir monitorando o que considera irregularidades na cobertura da eleição.
O caso reforça o debate sobre os limites entre liberdade de expressão, direito à informação e proteção da imagem de candidatos, um tema que deve marcar a reta final da campanha em Alagoas e em todo o país.
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