Disputa pelo voto feminino: pré-candidatos à Presidência em 2026 intensificam discursos após crise no PL

Os pré-candidatos à Presidência da República em 2026 intensificaram, nos últimos dias, discursos voltados às mulheres em entrevistas, eventos e publicações nas redes sociais. O movimento reflete a disputa pelo eleitorado feminino, maioria no país, e ocorre em meio às polêmicas envolvendo Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio Bolsonaro (PL). Segundo dados do Painel de Estatísticas Eleitorais do TSE de março de 2026, as mulheres são 52,85% do eleitorado brasileiro, com 82 milhões de eleitoras, enquanto os homens somam 73,8 milhões.

O assunto ganhou força depois de uma crise entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A ex-primeira-dama divulgou vídeo em que relata ter sido desrespeitada pelo enteado em discussões políticas do PL. “Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”, afirmou a ex-primeira-dama.

Flávio Bolsonaro se desculpou e afirmou: “Nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”. Dias depois, o senador fez uma live em defesa da pauta das mulheres e afirmou que o tema não deveria ser tratado como uma questão ideológica. Na quarta-feira (1º), divulgou uma nota e discursou em evento do PL Mulher repudiando as declarações de um aliado, o youtuber Paulo Figueiredo, sobre mulheres. A manifestação ocorreu após Paulo Figueiredo dizer que “mulher vota muito mal” e atacar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. As declarações tiveram repercussão negativa no entorno de Flávio Bolsonaro, que busca ampliar o apoio entre o eleitorado feminino nas pesquisas de intenção de voto.

Cinco dias depois da publicação de Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro disse que a defesa das mulheres deve ser tratada como pauta econômica, não ideológica. “As mulheres que sustentam mais de 70% dos lares brasileiros, que sofrem com a violência. Não adianta a gente negar isso, gente, porque essa pauta de mulher não é uma pauta de ideologia, é uma pauta de economia”, disse em entrevista ao podcast Estadão/Broadcast. No Senado desde 2019, Flávio Bolsonaro passou a apresentar propostas voltadas especificamente às mulheres em 2026.

O movimento não se restringe ao PL. Outros pré-candidatos, como Lula (PT), Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (MDB), também reforçaram falas sobre mulheres em eventos e redes sociais. A disputa pelo voto feminino ganhou contornos estratégicos, com cada campanha tentando capitalizar sobre pautas como violência doméstica, igualdade salarial e representação política. O cenário reflete a importância do eleitorado feminino, que historicamente decide eleições e é cortejado por todas as candidaturas.

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