Em uma manifestação oficial ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu o sistema de pagamentos instantâneos PIX, afirmando que sanções ou tarifas contra ele ‘prejudicam investimentos dos EUA’ e propôs um ‘compromisso legislativo’ para que o meio de pagamento não seja conectado a ‘arranjos de liquidação transfronteiriços não ocidentais’. O documento, de 86 páginas, foi encaminhado nesta quarta-feira (1º) e também pede o adiamento, por 180 dias, da aplicação de novas tarifas de 25% sobre exportações brasileiras, sugerindo que a medida seja postergada para depois das eleições presidenciais no Brasil, em 2026.
No texto, Flávio Bolsonaro argumenta que ‘instrumentos de pagamento privados — cartões de crédito e débito, e outros tipos de empresas — oferecem funções que o Pix não substitui, incluindo crédito ao consumidor, financiamento, proteção contra disputas e mecanismos de estorno’. O senador também coloca o PIX como um dos marcos da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e classifica como ‘exageradas’ as alegações de conflitos de interesse feitas pelo governo de Donald Trump. Ele cita que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) opera um sistema similar, o FedNow, e defende que ‘o Pix é uma infraestrutura pública soberana de pagamentos, não uma empresa comercial concorrente’.
O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA, conduzindo investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e podendo recomendar medidas como a imposição de tarifas. A carta de Flávio Bolsonaro ocorre em meio a um contexto de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, agravado por relatórios norte-americanos que criticam o PIX, o STF e a regulação de redes sociais no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se manifestou sobre o caso, chamando de ‘traidores da pátria’ aqueles que, como o senador, fazem representações ao governo estrangeiro contra interesses nacionais.
O senador também argumenta que ‘o volume de transações com cartões dos EUA no Brasil continuou a crescer paralelamente ao Pix’ e que ‘a formalização de dezenas de milhões de brasileiros expandiu o mercado consumidor para empresas dos EUA — no comércio eletrônico, em plataformas e fintechs — em um país onde os Estados Unidos lideram o investimento estrangeiro direto’. A manifestação de Flávio Bolsonaro se insere em um panorama político mais amplo, no qual o pré-candidato à Presidência busca alinhar-se a setores conservadores e ao governo Trump, enquanto tenta influenciar as negociações comerciais bilaterais em um ano eleitoral no Brasil.
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