O presidente do Partido Liberal (PL) em São Paulo e vereador na capital, Isac Félix, manifestou-se publicamente contra as articulações em curso na Câmara Municipal que visam indicar o vereador Fábio Riva (MDB) para uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Município (TCM). A declaração, feita nesta quarta-feira (2), expõe fissuras na base de apoio ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e coloca em xeque a coesão da aliança que sustenta a gestão municipal. A disputa pela vaga no TCM, órgão responsável por fiscalizar as contas da prefeitura, ganhou contornos de crise política nos corredores do Legislativo paulistano.
De acordo com informações do Painel, da Folha de S.Paulo, a articulação para emplacar Fábio Riva no TCM é liderada por vereadores da base governista, que veem na indicação uma forma de fortalecer o controle político sobre o tribunal e, ao mesmo tempo, acomodar interesses partidários. Isac Félix, no entanto, classificou o movimento como “precipitado e prejudicial ao equilíbrio entre os poderes”. Em nota, o presidente do PL em São Paulo afirmou que “a vaga no TCM não pode ser tratada como moeda de troca em acordos de bastidores” e que “a decisão deve ser técnica e republicana, não fruto de pressões políticas”.
Panorama político e impactos na base aliada
A crise ocorre em um momento delicado para a administração Nunes, que enfrenta desgaste com a base aliada desde o início do ano. A tentativa de indicar um nome do MDB para o TCM — partido do prefeito — é vista por analistas como uma manobra para consolidar o controle do governo sobre o tribunal, mas tem gerado resistência entre legendas que se sentem excluídas do processo. O PL, que integra a coalizão governista, reclama de falta de diálogo e transparência. A situação se agrava com a proximidade das eleições municipais de 2028, quando a composição da Câmara e a força dos partidos serão testadas nas urnas.
Fábio Riva, por sua vez, é um nome conhecido no Legislativo paulistano, com mandato desde 2021 e atuação em comissões de fiscalização. Sua indicação, no entanto, enfrenta obstáculos legais e políticos: o TCM exige que os conselheiros tenham notório saber jurídico, contábil ou administrativo, além de reputação ilibada. Críticos apontam que a escolha de um vereador em exercício pode gerar conflito de interesses, já que o tribunal julga contas da própria Câmara. O movimento também reacende o debate sobre a politização dos tribunais de contas no Brasil, frequentemente alvo de críticas por indicações baseadas em acordos partidários.
Enquanto a articulação avança nos bastidores, a oposição na Câmara já sinaliza que deve questionar a legalidade do processo. O presidente do PL em São Paulo, Isac Félix, prometeu levar o caso ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado, caso a indicação seja aprovada sem amplo debate público. A crise, portanto, não apenas expõe as fragilidades da base de Nunes, mas também coloca em xeque a credibilidade do processo de escolha para o TCM, em um momento em que a transparência e a independência dos órgãos de controle são cada vez mais cobradas pela sociedade.
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