Uma dívida de apenas R$ 1,1 mil motivou a execução de uma mulher em Rio Largo, na região metropolitana de Maceió. O crime, ocorrido na última semana, foi ordenado por um chefe de facção criminosa foragido no Rio de Janeiro, conforme revelou a investigação policial. O suspeito de executar o disparo confessou o crime e entregou o comparsa que o acompanhava, ambos ligados ao tráfico de drogas local.
A vítima, identificada como Maria Aparecida dos Santos, de 34 anos, foi morta a tiros em uma rua movimentada do bairro Centro, em Rio Largo. Segundo a polícia, ela era conhecida por ter envolvimento com o tráfico e devia a quantia a um traficante que comanda o crime organizado na região, mas que está foragido no Rio de Janeiro. O delegado Carlos Alberto de Oliveira, responsável pelo caso, afirmou que a dívida era de pequeno valor, mas foi suficiente para desencadear uma execução sumária, evidenciando a brutalidade do sistema de cobrança das facções.
Confissão e entrega de comparsa
O principal suspeito, João Pedro da Silva, de 22 anos, foi preso em flagrante após confessar o crime. Em depoimento, ele detalhou que recebeu ordens diretas do chefe da facção para executar a vítima. João Pedro também entregou à polícia o nome do comparsa que o auxiliou na fuga, Lucas Henrique de Souza, de 19 anos, que foi localizado e preso em seguida. Ambos possuem passagens por tráfico de drogas e associação criminosa.
A polícia apreendeu com os suspeitos uma pistola calibre 9mm, munições e uma quantia em dinheiro, que supostamente seria parte do pagamento pelo crime. A investigação também aponta que a execução foi planejada para servir de exemplo a outros devedores, em um contexto de disputa territorial entre facções rivais na região metropolitana de Maceió.
Panorama político e social
O caso expõe a fragilidade do sistema de segurança pública em Alagoas, onde o tráfico de drogas e as facções criminosas operam com relativa impunidade. A dívida de R$ 1,1 mil, que poderia ser resolvida por vias legais ou até mesmo por acordos informais, resultou em uma morte violenta, evidenciando a escalada da criminalidade no estado. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas indicam que, em 2025, houve um aumento de 12% nos homicídios relacionados ao tráfico, com destaque para a região de Rio Largo, que concentra 15% dos casos.
O governo estadual, sob a gestão do governador Paulo Dantas, tem enfrentado críticas pela falta de efetivo policial e de políticas de prevenção ao crime. Enquanto isso, a Assembleia Legislativa de Alagoas debate um pacote de medidas de segurança, mas sem avanços concretos. O caso de Maria Aparecida é mais um exemplo de como a dívida de pequeno valor pode se tornar sentença de morte em áreas dominadas pelo crime organizado.
A polícia continua as investigações para localizar o chefe da facção foragido no Rio de Janeiro, que já tem mandado de prisão em aberto. A população de Rio Largo vive sob o medo de novas execuções, enquanto as autoridades prometem reforçar o policiamento na região.
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