A cerca de dez dias do início das convenções partidárias que oficializarão os candidatos ao Palácio do Planalto, as campanhas dos presidenciáveis do campo da direita recrutam conselheiros entre economistas liberais para construir planos de governo de oposição à política econômica adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em paralelo, o governo petista escalou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, para defender o legado econômico da gestão e rebater as críticas que vêm sendo feitas pelos adversários.
O movimento de trânsito de liberais entre as equipes de candidatos da direita reflete a busca por credibilidade no mercado financeiro e entre setores empresariais, que historicamente se alinham a propostas de menor intervenção estatal, ajuste fiscal e reformas estruturais. Entre os nomes cotados para integrar as equipes econômicas de presidenciáveis como Romeu Zema (Novo), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e outros potenciais candidatos, estão economistas com passagem por think tanks liberais e pelo setor privado. A estratégia visa apresentar uma alternativa clara ao modelo petista, que tem sido criticado por elevar gastos públicos e pressionar a inflação.
Panorama político e econômico
O cenário eleitoral de 2026 se desenha com forte polarização entre o campo da direita, que busca unificar discurso em torno de pautas liberais na economia, e a base governista, que tenta capitalizar os programas sociais e o crescimento do PIB registrado nos últimos trimestres. A presença de liberais nas campanhas de oposição sinaliza uma tentativa de ampliar o eleitorado de centro e conquistar a confiança de investidores, enquanto o governo Lula aposta na defesa de políticas como o Bolsa Família e o novo arcabouço fiscal.
Dario Durigan, secretário-executivo da Fazenda, foi designado para articular a defesa do governo em debates públicos e entrevistas, destacando os avanços na redução do desemprego e no controle da dívida pública. A escolha de Durigan, que tem perfil técnico e trânsito no mercado, indica a preocupação do Planalto em não deixar o discurso econômico ser monopolizado pela oposição. A movimentação ocorre em meio a críticas de que o governo teria abandonado o rigor fiscal em ano eleitoral, com aumento de emendas parlamentares e subsídios.
Enquanto isso, a direita tenta superar divergências internas entre alas mais moderadas e radicais, especialmente em temas como reforma tributária e privatizações. A presença de economistas liberais nas equipes de campanha é vista como um aceno à responsabilidade fiscal, mas também gera resistência entre setores mais conservadores, que defendem maior intervenção estatal em áreas como segurança e educação. A definição dos planos de governo deve ocorrer nas próximas semanas, com as convenções partidárias marcadas para o fim de julho.
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