A eleição de 2026 em Alagoas já é apontada como a mais cara da história do estado, com a pré-campanha convertida em campanha antecipada desde o início de abril. O primeiro indicativo desse cenário foi a desincompatibilização de dois dos principais personagens da disputa: Renan Calheiros Filho (MDB) e JHC (PSDB), que deixaram o Ministério dos Transportes e a prefeitura de Maceió, respectivamente, para se dedicar integralmente à corrida eleitoral. A movimentação ocorre em meio a um cenário de forte polarização e de reconfiguração de alianças, com impacto direto nas contas públicas e no financiamento de campanhas.
De acordo com fontes do portal Política Alagoana, a pré-campanha já movimenta cifras que superam os R$ 100 milhões, considerando gastos com publicidade, eventos, viagens e estrutura de apoio. Especialistas apontam que o custo total da eleição, incluindo as campanhas para governador, senador, deputados federal e estadual, pode ultrapassar R$ 500 milhões, um recorde absoluto para o estado. O aumento expressivo se deve à combinação de fatores como a inflação dos custos de mídia digital, a necessidade de contratação de equipes especializadas e a intensificação do uso de ferramentas de marketing político.
Desincompatibilização e reconfiguração de alianças
A saída de Renan Calheiros Filho do Ministério dos Transportes, no dia 4 de abril, e a de JHC da prefeitura de Maceió, no mesmo período, marcam o início oficial da pré-campanha. Ambos são considerados favoritos para a disputa ao governo do estado, mas enfrentam desafios internos em suas bases. Enquanto Renan Filho busca consolidar o apoio do MDB e de partidos aliados, JHC tenta unificar o PSDB e atrair legendas como o PSD e o União Brasil. A movimentação ocorre em um contexto de fragilidade de acordos regionais, com o temor de traições e alianças de última hora, como apontado em análises recentes do portal República do Povo.
Paralelamente, o cenário nacional também influencia a disputa. O encontro de cúpula entre PT e PSD em São Paulo, que delineou estratégias para 2026, sinalizou que Alagoas será um dos principais campos de batalha. A presença de figuras como o presidente Lula e o governador Paulo Dantas (MDB) nas articulações reforça a importância do estado para a base governista. No entanto, a migração de JHC, sua esposa e sua mãe senadora para o PSDB, em uma articulação de peso, indica que a oposição também se organiza para disputar o eleitorado alagoano.
Impacto financeiro e social
O custo elevado da eleição levanta preocupações sobre o uso de recursos públicos e a influência do poder econômico no processo democrático. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que, em 2022, as campanhas em Alagoas já haviam batido recordes, com gastos totais de R$ 280 milhões. Para 2026, a projeção é de um aumento de pelo menos 80%, impulsionado pela disputa acirrada e pela necessidade de alcançar eleitores em um estado com mais de 2,5 milhões de votantes. A situação é agravada pela prática de pré-campanhas que, na prática, funcionam como campanhas antecipadas, com distribuição de brindes e sorteios, como denunciado em reportagens sobre gestores de Rio Largo.
Além disso, a eleição mais cara da história de Alagoas ocorre em um momento de crise fiscal no estado, com a dívida pública ultrapassando R$ 12 bilhões. Especialistas alertam que o dinheiro gasto em campanhas poderia ser direcionado para áreas como saúde, educação e infraestrutura, que enfrentam carências históricas. A situação é agravada pela falta de transparência no financiamento de pré-campanhas, que muitas vezes ocorre por meio de doações de pessoas jurídicas e de fundos partidários, sem o devido controle.
Panorama político e perspectivas
O cenário político alagoano para 2026 é marcado por uma forte polarização entre as forças que apoiam o governo federal e a oposição. De um lado, Renan Calheiros Filho e Paulo Dantas representam a continuidade do projeto do MDB, que domina o estado há décadas. Do outro, JHC e o PSDB tentam capitalizar o desgaste da gestão estadual e a insatisfação com a corrupção, que levou à prisão de ex-governadores. A disputa também envolve o Senado, com a possível candidatura de Renan Calheiros (pai) e de Rodrigo Cunha (PSDB), que devem polarizar a eleição para a vaga na Câmara Alta.
As articulações para 2026 já incluem encontros secretos entre lideranças partidárias e a definição de coligações. O PT, que busca ampliar sua presença no Nordeste, deve apoiar a candidatura de Renan Filho, enquanto o PL de Jair Bolsonaro tenta se alinhar a JHC. A reconfiguração do cenário político, com a migração de prefeitos e vereadores para novos partidos, indica que a eleição será disputada voto a voto, com alto investimento em propaganda e em ações de base. A expectativa é de que o primeiro turno já seja definido em outubro de 2026, mas a possibilidade de segundo turno não está descartada, dado o equilíbrio de forças.
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