Um homem embriagado foi preso em flagrante na noite desta quarta-feira (26) no bairro do Prado, em Maceió, após agredir fisicamente a companheira com tapas e socos. A vítima, cujo nome não foi divulgado, relatou à Polícia Militar que o ataque ocorreu depois que ela se recusou a entregar dinheiro ao agressor, que exigia parte do salário dela. O caso, registrado no 3º Distrito Policial, expõe mais um episódio de violência doméstica em Alagoas, estado que lidera taxas de feminicídio no Nordeste.
Segundo o boletim de ocorrência, a agressão começou quando o homem, identificado como José Carlos da Silva, de 38 anos, chegou em casa visivelmente embriagado e exigiu que a companheira lhe desse R$ 200 do salário que ela havia recebido no dia anterior. Diante da recusa, ele a xingou e a atacou com tapas no rosto e socos nos braços, causando hematomas e escoriações. Vizinhos ouviram os gritos e acionaram a Polícia Militar, que encontrou o agressor ainda alterado e com odor de álcool. Ele foi conduzido à Central de Flagrantes, onde permanece à disposição da Justiça.
Panorama da violência doméstica em Alagoas
O caso ocorre em um contexto alarmante: Alagoas registrou, em 2025, uma média de 12 agressões físicas contra mulheres por dia, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. A capital Maceió concentra 40% das ocorrências, muitas delas motivadas por ciúmes, embriaguez ou disputas financeiras. Especialistas apontam que a dependência econômica é um dos principais fatores que mantêm mulheres em ciclos de violência, como evidenciado no episódio do Prado.
A prisão de José Carlos reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a necessidade de ampliar políticas públicas de acolhimento. A vítima foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito e recebeu orientações sobre a Lei Maria da Penha. A Defensoria Pública de Alagoas informou que acompanhará o caso para garantir a aplicação de medidas protetivas, como o afastamento do agressor do lar.
O governador de Alagoas, Paulo Dantas, e a secretária de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, Maria da Penha Silva, reiteraram o compromisso de fortalecer a rede de enfrentamento à violência doméstica, mas organizações de defesa dos direitos das mulheres criticam a lentidão na implementação de casas-abrigo e delegacias especializadas. Atualmente, apenas 30% dos municípios alagoanos contam com unidades da Patrulha Maria da Penha.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que ouvirá testemunhas e analisará o histórico de violência do casal. A vítima, que está em local sigiloso, recebe apoio psicossocial da equipe do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM).
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