Empresa ligada a secretário sob investigação da PF recebe R$ 4,4 milhões do governo de Alagoas em 2026

Uma empresa ligada a um secretário estadual sob investigação da Polícia Federal já recebeu R$ 4,4 milhões do governo de Alagoas apenas em 2026, mesmo após a deflagração de uma operação que apura suposto desvio milionário de recursos da Saúde. Os pagamentos à NOT – nome fantasia da empresa alvo de suspeitas – continuam sendo feitos, conforme dados oficiais de transparência, levantando questionamentos sobre a continuidade de contratos públicos em meio a apurações criminais.

A Polícia Federal deflagrou, ainda em 2025, a operação que investiga um esquema de desvio de verbas da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas. O inquérito aponta que a NOT teria recebido valores superfaturados por serviços prestados, com indícios de direcionamento de licitações e conluio entre agentes públicos e empresários. Apesar das suspeitas, o governo estadual manteve os repasses à empresa, que somam R$ 4,4 milhões nos primeiros seis meses de 2026.

Panorama político e impacto nos cofres públicos

O caso ocorre em um contexto de tensão política em Alagoas, onde o governo estadual enfrenta pressão de órgãos de controle e da oposição para esclarecer a relação com a NOT. O secretário envolvido, cujo nome não foi divulgado oficialmente pela PF, é figura de destaque na administração e responde por pastas estratégicas. A continuidade dos pagamentos, mesmo sob investigação, levanta dúvidas sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização e sobre a transparência na gestão de recursos públicos.

Especialistas em direito administrativo apontam que, embora a suspensão de contratos dependa de decisão judicial ou de comprovação de irregularidades, a manutenção de repasses a empresas investigadas pode configurar risco de dano ao erário. Dados do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas indicam que a NOT possui contratos ativos com pelo menos três secretarias, somando mais de R$ 12 milhões em valores previstos para 2026.

A PF continua as investigações, e o Ministério Público Estadual acompanha o caso. Enquanto isso, a população alagoana aguarda respostas sobre o destino dos recursos da Saúde, setor que enfrenta carências históricas e que agora vê parte de seu orçamento sob suspeita.

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