Uma empresa ligada a um secretário estadual investigado pela Polícia Federal já recebeu R$ 4,4 milhões do Governo de Alagoas apenas no exercício de 2026, conforme apuração do portal Francês News. O montante, repassado por meio de contratos públicos, levanta suspeitas de irregularidades na destinação de verbas estaduais e acende um alerta sobre a permeabilidade do Executivo alagoano a esquemas de desvio de recursos. O caso ganha contornos ainda mais graves por envolver um auxiliar direto do governador, cujo nome consta em inquérito da PF por supostas fraudes em licitações e superfaturamento de serviços.
Os pagamentos, realizados entre janeiro e outubro de 2026, foram feitos a uma pessoa jurídica que tem como sócio oculto o próprio secretário, conforme documentos obtidos pela reportagem. A empresa, de pequeno porte e sem histórico relevante de atuação no mercado, foi contratada para prestar serviços de consultoria e assessoria técnica a órgãos da administração direta. Os valores, que somam R$ 4.400.000,00, foram distribuídos em parcelas mensais, sem que houvesse qualquer procedimento licitatório formal, o que contraria a legislação vigente e os princípios da administração pública.
Investigação da Polícia Federal e conexões políticas
A Polícia Federal já investiga o secretário desde 2025, no âmbito da Operação Farol, que apura um esquema de desvio de recursos públicos em contratos de saúde e educação no estado. O nome do gestor aparece em interceptações telefônicas e quebras de sigilo bancário que indicam a utilização de empresas de fachada para ocultar o recebimento de vantagens indevidas. A empresa agora apontada como beneficiária dos R$ 4,4 milhões é uma das que estavam sob suspeita, mas até então não havia sido vinculada diretamente a contratos milionários do governo.
O caso expõe fragilidades nos mecanismos de controle interno do estado, que permitiram que uma empresa com vínculos tão estreitos com um investigado recebesse vultosos recursos públicos sem questionamentos. Além disso, revela a capilaridade de possíveis esquemas de corrupção que envolvem não apenas o Executivo, mas também setores do Legislativo e do Judiciário alagoano, que até o momento não se manifestaram sobre o assunto.
Impacto no cenário político e social
O montante de R$ 4,4 milhões representa uma fatia significativa do orçamento estadual para 2026, especialmente em um contexto de cortes em áreas como saúde e educação. Enquanto hospitais públicos enfrentam falta de insumos e escolas operam com infraestrutura precária, o governo destina milhões a uma empresa de fachada ligada a um secretário sob investigação. A situação gera indignação entre movimentos sociais e entidades de controle, que cobram transparência e responsabilização dos envolvidos.
No plano político, o caso pode abalar a base de sustentação do governador, que já enfrenta desgaste com denúncias anteriores de corrupção em sua gestão. A oposição no Legislativo estadual já anunciou que vai requerer a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos e os repasses. Enquanto isso, a Polícia Federal aprofunda as investigações e deve ouvir nos próximos dias o secretário e outros servidores citados no inquérito.
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