O dono da construtora responsável pelas obras do Hospital da Criança, unidade de saúde que vem sendo utilizada pelo pré-candidato Renan Filho (MDB) como vitrine da gestão estadual na área da saúde durante sua pré-campanha, pagava despesas de uma mulher apontada pela Polícia Federal como suposta amante de um secretário do governo de Alagoas. A revelação consta no inquérito da Operação Estágio IV, deflagrada pela PF para apurar desvios de recursos públicos e fraudes em licitações.
Segundo os investigadores, os pagamentos eram feitos de forma sistemática e envolviam valores que somam centenas de milhares de reais. A construtora, que venceu licitações milionárias para erguer o hospital, teria utilizado recursos oriundos de contratos públicos para custear despesas pessoais da mulher, incluindo aluguel, viagens e contas de consumo. A PF não revelou o nome do secretário, mas confirmou que ele é alvo de apuração em outro inquérito em tramitação no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Hospital usado como palanque eleitoral
O Hospital da Criança, localizado em Maceió, foi inaugurado em meio a solenidades com a presença de Renan Filho, que o utiliza como principal cartão de visitas de sua pré-candidatura ao governo do estado. A unidade, que custou mais de R$ 120 milhões aos cofres públicos, é apresentada pelo emedebista como exemplo de modernização da saúde pública. No entanto, a investigação da PF aponta que a obra foi executada por uma empresa que, paralelamente, mantinha relações financeiras suspeitas com integrantes do alto escalão do governo.
A Operação Estágio IV, que já resultou em prisões e buscas em endereços de empresários e servidores, mira um esquema que envolve superfaturamento de contratos, direcionamento de licitações e pagamento de propina a agentes públicos. O caso ganha contornos políticos por ocorrer em ano eleitoral, quando Renan Filho busca a reeleição e tem no discurso da saúde um de seus pilares de campanha.
Panorama político e desdobramentos
A revelação da PF coloca o governo de Alagoas sob suspeita e pode impactar diretamente a corrida eleitoral. Além de Renan Filho, outros pré-candidatos já começaram a explorar o caso, questionando a lisura dos contratos públicos. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) informou que abrirá uma auditoria específica sobre as obras do Hospital da Criança, enquanto o Ministério Público Estadual (MPE) acompanha as investigações federais.
Em nota, a assessoria da construtora negou irregularidades e afirmou que todos os pagamentos foram feitos dentro da legalidade. Já a defesa de Renan Filho classificou a investigação como “factoide eleitoral” e disse que o pré-candidato não tem qualquer envolvimento com o caso. A PF, por sua vez, não comentou se novas fases da operação estão previstas, mas fontes internas indicam que o inquérito deve ser concluído nos próximos meses, com possibilidade de indiciamento de novos envolvidos.
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