Empresário se emociona ao intervir em agressão a criança de 3 anos no Paraná: ‘O que vai ser da vida dessa criança?’

O empresário José Fernandes, dono de uma academia em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, emocionou-se ao relembrar a cena em que uma menina de três anos foi chutada pelo próprio pai, no domingo (5). As imagens, capturadas por câmeras de segurança e divulgadas nesta quarta-feira (8), mostram o homem caminhando com a criança e outro filho, de cinco anos, quando para e desfere um chute na filha, que cai no chão. José, que interveio no momento, afirmou ter agido por instinto e indignação, mas ponderou sobre os riscos de uma reação mais agressiva: ‘Algumas pessoas me questionaram de por que você não bateu nele? Mas, gente, a criança já está passando por aquela situação ali. E aí ver o pai, que bateu nela, rolando no chão com outro cara batendo? O que vai ser da vida dessa criança?’, questionou, emocionado, em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.

O caso, que ganhou repercussão nacional, expõe um panorama alarmante de violência doméstica contra crianças no Brasil. Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos indicam que, em 2025, foram registradas mais de 150 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes, com a região Sul concentrando cerca de 18% dos casos. A agressão em Francisco Beltrão, ocorrida em via pública, levanta questionamentos sobre a eficácia das redes de proteção e a necessidade de políticas públicas mais robustas para prevenir e coibir tais atos.

Detalhes da agressão e da intervenção

As imagens gravadas mostram o pai, cujo nome não foi divulgado oficialmente, caminhando com os dois filhos. Em certo momento, ele para e chuta a menina, que cai no chão. Segundos depois, José Fernandes se aproxima, abre os braços e tenta intervir, mas é confrontado pelo homem. O personal trainer, que é pai, relatou ter agido pelo ‘instinto de pai’ e pela indignação, mas decidiu ter cautela para não agravar a situação. ‘A gente fica indignado, pois esse tipo de coisa a gente não está acostumado a ver. É muito triste. A gente se coloca como pai naquele momento, sabe? Para uma criança, o pai é o espelho dela, é o homem da vida dela’, disse, emocionado.

Investigação e desdobramentos legais

A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o crime de lesão corporal, conforme o delegado Anderson Andrei. O pai foi ouvido nesta quarta-feira (8), sem advogado, e, em depoimento, chorou e disse estar arrependido, alegando que chutou a filha porque ela estava chorando. O homem não foi preso por falta de flagrante, já que o caso chegou à polícia na terça-feira (7), dois dias após a agressão. Em situações de lesão corporal, o flagrante se caracteriza quando o crime está sendo cometido ou acabou de acontecer, o que não se aplica ao caso. A mãe da criança soube do ocorrido pelas redes sociais, e o g1 tenta identificar a defesa do agressor.

Panorama político e social

O episódio reacende o debate sobre a violência doméstica no Brasil, especialmente contra crianças, e a necessidade de fortalecer mecanismos de denúncia e proteção. Especialistas apontam que a falta de flagrante em casos como este pode desestimular denúncias e permitir que agressores fiquem impunes. Organizações de defesa dos direitos da criança, como o Conselho Tutelar e a Secretaria de Direitos Humanos, reforçam a importância de campanhas de conscientização e de canais de denúncia, como o Disque 100. O caso também levanta questões sobre o papel da sociedade civil na intervenção em situações de violência, com José Fernandes sendo elogiado por sua ação ponderada, mas também criticado por não ter usado força física contra o agressor.

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