O candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, participou de entrevista ao g1 e à GloboNews nesta quarta-feira (5), em série com os presidenciáveis. Durante a conversa, ele citou um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) para afirmar que 80% dos jovens que cometem crimes no Brasil não têm figura paterna. A equipe do Fato ou Fake, no entanto, classificou a declaração como #NÃOÉBEMASSIM, pois a pesquisa mencionada não contém esse número.
A entrevista, conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery nos novos estúdios da GloboNews, no Rio de Janeiro, faz parte de uma série com os cinco primeiros colocados na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada em 24 de julho. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio em 27 de julho, com participação das campanhas. Além de Renan Santos, foram convidados Lula (PT), que não compareceu, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Flávio Bolsonaro (PL), este último ainda sem confirmação até a última atualização.
O que diz o estudo da FGV citado por Renan Santos
O estudo citado, intitulado “Determinações demográficas do nível de criminalidade no estado de São Paulo”, foi publicado em 2007 pelos economistas Gabriel Chequer Hartung e Samuel Pessoa, ambos ligados à FGV. A pesquisa analisou dados de 643 municípios paulistas do Censo Demográfico de 1991 e concluiu que, para crimes violentos como homicídios, indicadores econômicos como PIB per capita e Índice de Gini perdem relevância estatística quando variáveis demográficas são incluídas no modelo.
O trabalho menciona que a ausência de figura paterna (pai ou padrasto) e a “qualidade da criação” têm peso estatístico mais forte que a renda isolada, com impactos na violência 15 a 20 anos depois. No entanto, não há no texto qualquer menção a “80% dos meninos na Febem sem pai”. O dado mais próximo citado é de 1991, nos EUA, segundo o qual 57% dos detentos vinham de lares sem a presença do pai ou da mãe.
Panorama político e contexto da checagem
A checagem do Fato ou Fake ocorre em meio à corrida presidencial, com candidatos buscando embasar propostas de segurança pública em dados. A declaração de Renan Santos, embora tenha citado uma pesquisa real, distorceu o conteúdo original, o que pode gerar desinformação em um tema sensível como criminalidade juvenil. Especialistas reforçam que a ausência paterna é um fator relevante, mas não deve ser tratada como estatística absoluta sem comprovação.
O portal Republica do Povo acompanha a cobertura das eleições e traz análises sobre as propostas dos candidatos. Para mais informações sobre segurança pública e políticas de combate ao crime, veja também: Renan Santos promete descumprir decisões monocráticas do STF e defende ‘linha dura’ contra o crime em entrevista ao g1 e Renan Santos nega ser ‘o Bukele brasileiro’ e promete respeito à Constituição no combate ao crime.
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