O candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, afirmou em entrevista ao g1 e à GloboNews que, se eleito, não cumprirá decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada durante o podcast O Assunto, apresentado por Natuza Nery e Andréia Sadi, transmitido ao vivo na tarde de quarta-feira (5).
Renan Santos foi enfático: “Se o Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão ilegal, decisão ilegal não se cumpre. Ponto”. A fala reforça sua postura crítica ao STF, mas o candidato não detalhou quais critérios usaria para classificar uma decisão como ilegal.
Na mesma entrevista, Santos afirmou que aceitaria negociar e compor seu eventual governo com o Centrão, bloco parlamentar que ele já chamou de “parasitas”. Apesar da negociação, manteve o termo para se referir aos integrantes do grupo, o que gerou repercussão imediata.
Segurança pública: “Eu não sou Bukele”
Um dos slogans da campanha de Renan Santos, “prendeu, matou”, foi alvo de questionamentos. O candidato admitiu que a frase pode ter interpretação confusa, mas explicou que se trata de um recado político de enfrentamento “duro” ao crime. Ele citou como inspiração o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, mas ponderou: “Eu não sou Bukele”. Santos defendeu adaptar o chamado “bukelemo” à realidade brasileira, sem detalhar como isso seria implementado.
Economia: “drama fiscal” e desindexação
Na área econômica, o candidato afirmou que o Brasil vive um “drama fiscal” e propôs medidas como a desindexação do salário-mínimo em relação à Previdência. A proposta, se implementada, alteraria a forma como os benefícios previdenciários são reajustados, mas Santos não apresentou números ou cronograma.
Renan Santos, de 42 anos, concorre à Presidência pela primeira vez. A entrevista integra uma série do g1 e da GloboNews com os cinco candidatos mais bem posicionados na última pesquisa Datafolha. O próximo entrevistado será Romeu Zema, do partido Novo, na quinta-feira (6). Na sexta (7), será a vez de Ronaldo Caiado, do PSD. Flávio Bolsonaro, do PL, está marcado para segunda-feira (10), mas ainda não confirmou presença. O atual presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT, foi convidado, mas sua assessoria informou que ele optou por não participar.
O podcast O Assunto, que já ultrapassou 168 milhões de downloads e 14,2 milhões de visualizações no YouTube, é produzido por Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento e Marco Antônio Martins, com apresentação de Victor Boyadjian.
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