Esquema para forjar acusação de estupro contra Alfredo Gaspar é revelado; Lindbergh nega e recorre ao STF

Uma grave acusação de manipulação judicial veio à tona no cenário político nacional. O deputado federal Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, acionou a Polícia Legislativa Federal após ser procurado pelo comerciante Luiz Antônio Lopes, que relatou a existência de um esquema para forjar uma denúncia de estupro contra ele. O suposto articulador seria o também deputado Lindbergh Farias, que nega as acusações e ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a investigação.

De acordo com o depoimento prestado por Luiz Antônio Lopes à Polícia Legislativa, no dia 23 de abril, ele teria presenciado, em um quiosque de sua propriedade em um shopping no Rio de Janeiro, a movimentação de um grupo ligado a Lindbergh Farias. Segundo o comerciante, o grupo preparava uma entrevista falsa acusando Alfredo Gaspar de estupro. Uma jovem do grupo, que teria ganhado sua confiança, revelou que recebia pagamentos que variavam de R$ 2 mil a R$ 10 mil para sustentar a farsa. Luiz Antônio Lopes também citou o envolvimento de um assessor de Lindbergh, identificado apenas como Lucas, mas a TV Globo não encontrou nenhum funcionário com esse nome no gabinete do deputado.

Investigação e reação de Lindbergh

O boletim de ocorrência foi registrado por Alfredo Gaspar no dia 14 de abril, e as informações obtidas pela Polícia Legislativa já foram encaminhadas ao STF, onde tramita o caso. Em resposta, Lindbergh Farias ingressou nesta segunda-feira (10) com uma ação no STF pedindo a suspensão e a nulidade da investigação conduzida pela Polícia Legislativa, negando qualquer envolvimento no suposto esquema.

Paralelamente, a Polícia Federal recebeu um pedido de abertura de inquérito para investigar Alfredo Gaspar por suspeita de estupro de vulnerável. No entanto, o procedimento ainda não foi instaurado, pois a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou informações complementares antes de analisar o caso. A relatoria é do ministro Gilmar Mendes, do STF.

Contexto político e desdobramentos

O caso ganhou contornos ainda mais complexos quando Alfredo Gaspar acionou a Justiça contra a senadora Soraya Thronicke e o próprio Lindbergh Farias, após ambos comentarem a acusação de estupro durante uma sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, da qual Gaspar era relator. Na ocasião, Lindbergh chamou Gaspar de “estuprador”, e Gaspar respondeu chamando o petista de “bandido”.

Vale destacar que Luiz Antônio Lopes, o comerciante que relatou o suposto esquema, é filiado ao PL desde 30 de abril, sete dias após seu depoimento à Polícia Legislativa, conforme certidão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse detalhe levanta questionamentos sobre possíveis motivações políticas, mas não invalida, por si só, as informações prestadas.

O cenário político nacional observa atentamente os desdobramentos, especialmente porque Alfredo Gaspar, ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS e agora integra uma chapa presidencial. A disputa judicial e política promete se intensificar, com impactos diretos na credibilidade das instituições e na percepção pública sobre a lisura do processo eleitoral.

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