EUA e Irã trocam ataques em nova escalada no Oriente Médio; 170 alvos são bombardeados e aliados americanos são alvejados

Os Estados Unidos e o Irã voltaram a se atacar nesta quinta-feira (9), apesar do cessar-fogo assinado há três semanas. Forças americanas atingiram 170 alvos, e o Irã respondeu bombardeando aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, como Kuwait e Bahrein. A segunda noite de bombardeios americanos danificou portos no sudeste do Irã, próximos ao Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo produzido no mundo. O Pentágono informou que, em dois dias, atacou 170 alvos no Irã, retomando os bombardeios na madrugada de terça-feira (7). Na quarta-feira (8), o presidente Donald Trump afirmou que o cessar-fogo tinha acabado por causa de ataques a três cargueiros que tentavam atravessar o estreito. Imagens em tempo real mostram navios parados à espera da travessia.

Moradores flagraram ataques a diversas cidades, como Chabahar e Iranshahr, e bombardeios ao porto de Bandar Abbas. Segundo o governo iraniano, 14 pessoas morreram. A imprensa estatal iraniana disse que a usina nuclear de Bushehr também foi alvejada. Apesar de Trump dizer que não atacaria a infraestrutura, uma ponte no nordeste do país foi atingida e atrasou o acesso de milhares de pessoas que viajavam para acompanhar o funeral do aiatolá Ali Khamenei.

Irã responde com mísseis contra aliados americanos

O Irã reagiu com disparos contra bases americanas no Oriente Médio. Na Jordânia, oito mísseis foram interceptados. No Kuwait, sirenes de defesa antiaérea soaram na capital. O Bahrein e o Catar decretaram alerta máximo. As Forças Armadas iranianas divulgaram o vídeo do lançamento de um míssil. Antes do disparo, um militar escreveu: “Daqueles que buscam vingança por Khamenei” — uma referência ao líder supremo morto em bombardeios americanos e israelenses no primeiro dia de conflito.

Funeral de Khamenei e sucessão incerta

Depois de uma semana de cortejos acompanhados por milhares de pessoas por diversas regiões do Irã e até do Iraque, o corpo de Ali Khamenei foi sepultado nesta quinta-feira (9) na cidade natal do supremo líder, Mashhad. O filho dele, Mojtaba, ainda não apareceu em público desde que foi escolhido como sucessor, o que levantou suspeitas sobre a saúde dele. No meio da multidão, uma enorme bandeira se destacava com os dizeres: “Vamos matar Trump”. O aiatolá foi líder supremo por 36 anos, acumulando a função de líder religioso e político, e reprimiu com violência diversas ondas de protestos contra o governo, sendo acusado de matar opositores e reprimir a imprensa.

Panorama político e riscos globais

A escalada militar entre EUA e Irã ocorre em meio a uma crise humanitária e econômica no Oriente Médio, com o Estreito de Ormuz bloqueado e o preço do petróleo disparando nos mercados internacionais. A comunidade internacional, incluindo a ONU e a União Europeia, pede moderação, mas os ataques recíprocos indicam que o cessar-fogo de três semanas não foi suficiente para conter as hostilidades. Enquanto isso, aliados regionais como Kuwait, Bahrein e Catar se veem na linha de frente de um conflito que ameaça desestabilizar toda a região.

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