O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (JHC), foi flagrado utilizando um helicóptero de propriedade de um empresário que possui contratos milionários com a Prefeitura de Maceió, conforme revelou o portal Repórter Maceió. A aeronave pertence a José Carlos da Silva, dono de uma empresa de serviços terceirizados que firmou ao menos R$ 12 milhões em contratos com a gestão municipal nos últimos dois anos. O caso ocorre em meio a investigações que apuram possíveis irregularidades na administração pública e levanta suspeitas de tráfico de influência e conflito de interesses.
De acordo com a reportagem, o helicóptero modelo Robinson R44, prefixo PT-YZX, foi visto em ao menos três ocasiões transportando JHC entre a capital alagoana e o município de Marechal Deodoro, onde o ex-prefeito possui residência. As imagens, obtidas por fontes do Repórter Maceió, mostram o político embarcando e desembarcando da aeronave em horários distintos, sempre acompanhado de assessores. O empresário José Carlos da Silva é alvo de investigações do Ministério Público de Alagoas (MP-AL) por suspeitas de superfaturamento em contratos públicos e lavagem de dinheiro, mas ainda não foi formalmente acusado.
Contratos milionários e suspeitas de favorecimento
A empresa de José Carlos da Silva, a Serviços Gerais Ltda., firmou contratos com a Prefeitura de Maceió para prestação de serviços de limpeza urbana e manutenção de vias públicas, totalizando R$ 12,3 milhões entre 2022 e 2024. Os contratos foram assinados durante a gestão de JHC, que deixou o cargo em janeiro de 2024 para concorrer ao governo do estado. A proximidade entre o ex-prefeito e o empresário, evidenciada pelo uso da aeronave, levanta questionamentos sobre a lisura dos processos licitatórios e a possibilidade de favorecimento. O MP-AL já abriu um procedimento para investigar a relação entre os dois, mas até o momento não há conclusão.
O caso ganha relevância em um contexto político conturbado em Alagoas, onde investigações sobre corrupção em prefeituras têm sido frequentes. Em 2023, a Operação Sanguessuga da Polícia Federal já havia mirado contratos de serviços terceirizados em Maceió, resultando na prisão de dois servidores municipais. A utilização de aeronaves particulares por políticos para deslocamentos pessoais também tem sido alvo de críticas, especialmente quando os proprietários têm vínculos com o poder público. Especialistas em direito administrativo apontam que, embora não haja ilegalidade no uso de helicópteros de terceiros, a situação pode configurar conflito de interesses se houver indícios de contrapartidas em contratos públicos.
Repercussão e próximos passos
A reportagem do Repórter Maceió gerou reações imediatas. O Partido dos Trabalhadores (PT) em Alagoas divulgou nota pedindo a abertura de uma investigação formal pela Câmara Municipal de Maceió e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AL). Já a assessoria de JHC afirmou que o uso do helicóptero foi “eventual e sem qualquer contrapartida”, negando qualquer irregularidade. O empresário José Carlos da Silva, por meio de sua defesa, declarou que os contratos com a prefeitura são legais e que a aeronave é utilizada para fins particulares, sem relação com a administração pública. O MP-AL informou que irá analisar as imagens e documentos para decidir sobre a abertura de inquérito. O caso promete se arrastar nos próximos meses, com potencial para impactar a corrida eleitoral de 2026, caso JHC seja candidato ao governo do estado.
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