O ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves, candidato a deputado federal pelo MDB, declarou patrimônio zero pela quarta eleição consecutiva, repetindo um padrão que chama atenção no cenário político alagoano. A informação consta no registro de candidatura do ex-gestor, que já foi alvo de operação da Polícia Federal por desvio de recursos federais.
A declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral não lista qualquer bem, valor em conta ou investimento, o que levanta questionamentos sobre a evolução patrimonial de um político que ocupou cargo público de alto escalão municipal. Gilberto Gonçalves administrou Rio Largo, um dos municípios mais populosos da região metropolitana de Maceió, e agora busca uma vaga na Câmara Federal.
Antecedentes investigativos
O ex-prefeito foi alvo de operação da Polícia Federal que investigou desvio de recursos federais destinados ao município. A ação policial, que teve repercussão regional, apurou irregularidades na aplicação de verbas públicas, mas o político segue com o registro de candidatura em tramitação.
A situação de Gilberto Gonçalves não é um caso isolado no estado. O cenário político alagoano para 2026 tem sido marcado por movimentações que envolvem nomes com histórico de investigações. O PL, por exemplo, oficializou 15 candidatos à Câmara Federal e confirmou Alfredo Gaspar ao Senado em convenção em Maceió, enquanto o MDB aposta em ex-prefeitos investigados para reforçar sua chapa federal.
Panorama político e impacto
A declaração de patrimônio zero em quatro eleições seguidas coloca em debate a transparência e a prestação de contas de candidatos com passagens pelo Executivo municipal. Especialistas apontam que a ausência de bens declarados pode indicar inconsistências ou falta de planejamento financeiro, mas também pode ser uma estratégia para evitar questionamentos sobre enriquecimento ilícito.
O MDB de Alagoas, que já oficializou a pré-candidatura de Gilberto Gonçalves a deputado federal, enfrenta o desafio de equilibrar a necessidade de nomes fortes nas urnas com a imagem de seus quadros. A legenda, que também tem investido em outras candidaturas, busca ampliar sua representatividade no Congresso Nacional em meio a um cenário de polarização e desconfiança popular.
A Justiça Eleitoral deverá analisar o registro de candidatura de Gilberto Gonçalves, que pode enfrentar impugnações com base na Lei da Ficha Limpa, caso as investigações da Polícia Federal resultem em condenações ou decisões colegiadas. Enquanto isso, o eleitorado de Alagoas acompanha de perto os desdobramentos de um processo eleitoral que promete ser um dos mais disputados dos últimos anos.
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