Os municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí, no Extremo Sul do Rio Grande do Sul, seguem sem energia elétrica pelo quarto dia consecutivo nesta segunda-feira (10), após a passagem de um ciclone que atingiu a região na última quinta-feira (6). O fenômeno, com ventos de aproximadamente 90 km/h, derrubou duas torres de transmissão localizadas na Lagoa Mirim, que se partiram ao meio com a força do vento, deixando cerca de 38 mil moradores das duas cidades sem luz, água, sinal de telefone e internet.
A previsão das concessionárias é de que o fornecimento seja restabelecido até a noite desta segunda-feira (10), desde que as condições climáticas permitam a conclusão dos reparos. Enquanto isso, os municípios operam com geradores enviados pelo governo do estado e pela concessionária CEEE Equatorial. O prefeito de Santa Vitória do Palmar, André Selayaran, explicou como os equipamentos foram distribuídos para atender às prioridades locais.
“Priorizamos para Santa Casa, Santa Casa já tem um gerador, mas colocamos como backup a casa de acolhida, que tem cerca de 30 menores abrigados lá, criamos um ponto de apoio também para carregamento de celular no nosso ginásio de esportes e também protegemos a nossa merenda escolar, resgatando a merenda de todas as escolas e deixando ali em garantia para que a gente não perca nessa merenda”, afirmou o prefeito.
Rotina alterada e população em situação de isolamento
A falta de energia mudou drasticamente a rotina dos moradores. Postos de combustíveis que possuem gerador próprio viraram pontos de carregamento de celular e registram lotação. A moradora Maria Goretti Del Puerto relatou as dificuldades enfrentadas desde o início do apagão.
“Desde quinta-feira que a gente está nesse caos. Está sendo bem difícil. Está muito difícil para o trabalho, para tudo, né? Porque não temos internet. Banho tem que ser o banho de canequinha, luz de velas”, disse.
A estudante Crissiany Teixeira destacou a dificuldade de comunicação com o restante do estado e do país. “Pelo menos com sinal de Wi-Fi, dar notícias para pessoas que moram fora de Santa Vitória. Olha, nós estamos completamente isolados, agora hoje nós temos sinal de telefone, até ontem nós não tínhamos sinal nenhum de telefone na cidade, então assim, está sendo bem complicado”, afirmou.
O isolamento também gerou apreensão em familiares de moradores que vivem em outras regiões. A Defesa Civil recebeu diversos pedidos de informações sobre o estado de saúde das pessoas que estão nas cidades atingidas. O prefeito André Selayaran comentou a situação.
“Nós recebemos também pela Defesa Civil muitos pedidos de familiares de fora, que não conseguiam contato com seus familiares aqui, para saber se estavam bem ou não, mas realmente era falta de comunicação, as pessoas, graças a Deus, estavam em boas condições. A Santa Vitória está praticamente isolada, prazer. Estamos isolados e estamos aí recebendo todo o apoio do Estado, da Defesa Civil, da população e estamos aí batalhando para que isso seja reenergizado o mais rápido possível”, concluiu.
Panorama geral e impactos na região
O ciclone que atingiu o Extremo Sul do RS é mais um evento climático extremo que afeta a infraestrutura da região, que já sofre com a falta de investimentos em redes de transmissão e distribuição. A queda das torres na Lagoa Mirim evidencia a vulnerabilidade do sistema elétrico diante de fenômenos meteorológicos intensos, que têm se tornado mais frequentes no Sul do país. A demora no restabelecimento do serviço também expõe a necessidade de planos de contingência mais robustos para garantir a rápida resposta em situações de emergência.
Enquanto a energia não volta, a população depende de geradores e da solidariedade de vizinhos e autoridades. A expectativa é de que o serviço seja normalizado ainda hoje, mas os estragos causados pelo ciclone devem deixar marcas na rotina e na economia local, que depende do comércio e do turismo na região de fronteira com o Uruguai.
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