A morte de um jovem durante um salto de rope jump em São Paulo levou à prisão de três instrutores, após investigação da Polícia Civil apontar falha grave no procedimento de segurança. Os suspeitos foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. O caso, que chocou a comunidade local, expõe a fragilidade na fiscalização de atividades de aventura e reacende o debate sobre a responsabilidade criminal de prestadores de serviços turísticos.
De acordo com o inquérito, conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a vítima, identificada como Lucas Almeida, de 22 anos, morreu após o equipamento de segurança falhar durante o salto, realizado em uma ponte na região metropolitana de São Paulo. Os laudos periciais indicaram que o mosquetão de ancoragem não foi devidamente travado, causando a queda livre de aproximadamente 40 metros. Os presos são Carlos Eduardo Silva, de 34 anos, Rafael Oliveira, de 29 anos, e Marcos Pereira, de 41 anos, todos instrutores da empresa Radical Adventure, responsável pela atividade.
Falha no procedimento e dolo eventual
A investigação revelou que a empresa não realizava a checagem dupla obrigatória dos equipamentos antes de cada salto, conforme previsto nas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Além disso, os instrutores não possuíam certificação atualizada para operar o rope jump. O delegado responsável, Dr. Fernando Costa, afirmou que os suspeitos tinham plena consciência dos riscos, mas optaram por ignorar os protocolos para acelerar o atendimento aos clientes. “Eles sabiam que o equipamento estava com defeito e mesmo assim autorizaram o salto. Isso configura dolo eventual”, declarou.
O valor do salto era de R$ 150 por pessoa, e a empresa operava sem alvará de funcionamento desde 2023, conforme apurado pela Prefeitura de São Paulo. A Secretaria Municipal de Turismo informou que irá intensificar a fiscalização em atividades de aventura na cidade. O caso também levanta questionamentos sobre a responsabilidade civil e criminal de empresas que atuam no setor, especialmente em um contexto de crescimento do turismo de aventura no Brasil, que movimenta cerca de R$ 2 bilhões por ano, segundo dados do Ministério do Turismo.
Panorama político e social
A tragédia ocorre em meio a um debate nacional sobre a regulamentação de atividades radicais. Em 2024, o Congresso Nacional aprovou a Lei 14.876/2024, que estabelece normas mais rígidas para a operação de esportes de aventura, mas a implementação ainda é lenta. Especialistas apontam que a falta de fiscalização e a ausência de um cadastro nacional de instrutores credenciados são lacunas que precisam ser preenchidas. O Ministério Público de São Paulo já abriu um inquérito civil para investigar a atuação de outras empresas do setor na região.
Os três presos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça de São Paulo e aguardam julgamento. A empresa Radical Adventure teve suas atividades suspensas e pode ser multada em até R$ 500 mil. A família de Lucas Almeida, representada pelo advogado Dr. João Mendes, anunciou que entrará com uma ação de indenização por danos morais e materiais. O caso serve como alerta para a necessidade de maior rigor na segurança de atividades de lazer, que, quando negligenciadas, podem custar vidas.
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