Fé em meio às cinzas: mensagem ‘Deus está nesse lugar’ sobrevive a incêndio que consumiu 2 milhões de processos do TJES

Uma mensagem escrita à mão com a frase ‘Deus está nesse lugar’ permaneceu intacta após o incêndio que atingiu o Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), localizado na Serra, Grande Vitória, nesta terça-feira (21). O fogo consumiu mais de 2 milhões de processos físicos e 10 mil bens inservíveis, avaliados contabilmente em aproximadamente R$ 1 milhão, mas a inscrição na parede da cozinha do galpão, a cerca de 20 metros do ponto onde as chamas teriam começado, resistiu. A informação foi divulgada pelo colunista Lionel Ximenes, do jornal A Gazeta.

O galpão, com mais de 10 mil metros quadrados, foi completamente destruído. No local, estavam armazenados processos e documentos das comarcas de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana, além de funcionar como almoxarifado do Judiciário estadual e depósito de materiais da Secretaria de Engenharia e Gestão Predial. Segundo o Corpo de Bombeiros, ninguém ficou ferido.

Perdas materiais e impacto nos processos

O balanço oficial foi apresentado pela presidente do TJES, desembargadora Janete Vargas Simões, e pelo secretário-geral do tribunal, juiz Anselmo Laghi Laranja, durante coletiva de imprensa na tarde da mesma terça-feira. De acordo com o tribunal, todos os processos atingidos já estavam encerrados, sem possibilidade de novos recursos, e nenhum serviço da Justiça será interrompido. Do total de 2,1 milhões de processos físicos armazenados, 25% já haviam sido digitalizados e estavam aptos para descarte; outros 25% foram digitalizados, mas ainda não estavam aptos; e 50% (cerca de 1,05 milhão de documentos) não haviam sido digitalizados, sendo completamente perdidos, sem qualquer registro no sistema. Além disso, 10,6 mil bens inservíveis do almoxarifado foram destruídos, com valor contábil de aproximadamente R$ 1 milhão.

Investigação e medidas emergenciais

O TJES informou que criou um comitê emergencial para acompanhar a situação e que vai apurar as causas do incêndio em conjunto com a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros. A desembargadora Janete Vargas Simões destacou que, apesar da gravidade, a estrutura digital do tribunal garante a continuidade dos serviços judiciais. O episódio levanta questões sobre a preservação de documentos físicos e a necessidade de aceleração dos processos de digitalização no judiciário brasileiro, especialmente em arquivos históricos de grande porte.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *