Um homem suspeito de assassinar a companheira Grace Daiana dos Santos, de 33 anos, com golpes de martelo foi preso na noite de domingo (21), em Joaquim Gomes, no interior de Alagoas. O crime ocorreu na sexta-feira (19), na casa onde o casal morava, em Jequiá da Praia. O nome do suspeito não foi divulgado pela Polícia Civil. De acordo com os registros policiais, a vítima foi encontrada por uma vizinha amarrada a uma cadeira no quintal da residência, após receber cerca de 16 marteladas na cabeça. Grace Daiana chegou a ser socorrida e levada ao Hospital de Coruripe, e transferida posteriormente para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito já possuía histórico de violência doméstica.
Logo após o feminicídio, equipes de inteligência das polícias Militar e Civil, além da Secretaria de Estado da Segurança Pública, iniciaram as buscas pelo suspeito na região Norte de Alagoas. No domingo, uma denúncia indicou que ele estava escondido em Joaquim Gomes. Antes da chegada da polícia, moradores o reconheceram, renderam e agrediram. Militares do 14º Batalhão da Polícia Militar efetuaram a prisão. Devido aos ferimentos do espancamento, o homem foi levado a uma unidade de saúde para atendimento médico. Em seguida, foi encaminhado ao Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Novo Lino, onde ficou à disposição da Justiça.
Dinâmica do crime e investigação
Segundo o coordenador das Delegacias de Homicídios do Interior, delegado Flávio Dutra, o casal mantinha um relacionamento desde janeiro deste ano. O suspeito afirmou à polícia que passou o dia ingerindo bebidas alcoólicas com a companheira e que, em determinado momento, ela teria mostrado vídeos que indicariam uma suposta traição. Ele disse ter se enfurecido e utilizado objetos do local para agredi-la. Durante a perícia, a polícia encontrou um martelo com fios de cabelo e fragmentos de massa encefálica da vítima. Também foram apreendidos tijolos quebrados e uma enxada, que passarão por exames para verificar se foram usados no assassinato. “Foi encontrado um martelo que ainda tinha cabelos dela e também um pedaço da massa encefálica. Havia tijolos quebrados e uma enxada. Não sabemos se todos esses objetos foram usados, mas acreditamos que o martelo sim”, afirmou o delegado. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer todos os detalhes do crime e concluir o inquérito.
O caso reacende o debate sobre a violência doméstica em Alagoas, estado que registra altos índices de feminicídio. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam que, em 2025, foram registrados 42 casos de feminicídio no estado, com a maioria das vítimas sendo mortas por parceiros ou ex-parceiros. A prisão do suspeito, embora represente um avanço na responsabilização, expõe a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção e proteção às mulheres. A denúncia anônima e a ação dos moradores, que renderam o agressor antes da chegada da polícia, também evidenciam a mobilização social contra a impunidade, mas levantam questões sobre os limites da justiça com as próprias mãos.
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