O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a presidente da República nas eleições de outubro, criticou duramente as decisões monocráticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (22), alertando que a insegurança jurídica gerada por essas medidas está afastando investimentos estrangeiros e nacionais. Em declaração à imprensa, o parlamentar afirmou que “é inaceitável que nesse país estamos sendo submetidos a uma canetada de um ministro do Supremo, que pode, por exemplo, desfazer uma decisão do Congresso Nacional”. A fala ocorre em meio a um cenário de crescente tensão entre os Poderes, com críticas de diferentes setores políticos à atuação individual de magistrados.
Flávio Bolsonaro destacou que a falta de previsibilidade nas regras jurídicas compromete a confiança de empresários e investidores, que passam a evitar o Brasil diante do risco de decisões judiciais imprevisíveis. “O investidor precisa de segurança. Se uma canetada pode mudar as regras do jogo da noite para o dia, ninguém vai colocar dinheiro aqui”, argumentou. O senador também lembrou que o STF tem sido alvo de críticas por decisões monocráticas em temas sensíveis, como orçamento secreto, demarcação de terras indígenas e políticas ambientais, o que, segundo ele, amplia a instabilidade política e econômica.
Panorama político e reações
A declaração de Flávio Bolsonaro se insere em um contexto de embate entre o Legislativo e o Judiciário. Nos últimos meses, o Congresso Nacional aprovou propostas que limitam decisões individuais de ministros do STF, como a PEC que restringe decisões monocráticas em casos de inconstitucionalidade. No entanto, a medida ainda tramita e enfrenta resistência dentro da própria Corte. Enquanto isso, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e integrantes da oposição têm intensificado críticas ao STF, acusando a Corte de ativismo judicial e de interferir em competências do Legislativo e do Executivo.
Por outro lado, defensores do STF argumentam que as decisões monocráticas são necessárias em casos urgentes e que a Corte atua dentro da legalidade. O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, já defendeu publicamente a importância do colegiado e afirmou que o tribunal não aceitará pressões políticas. A crise de credibilidade entre os Poderes, no entanto, tem gerado preocupação em setores do mercado financeiro, que veem na instabilidade jurídica um risco para a retomada do crescimento econômico.
Especialistas em direito constitucional apontam que o debate sobre decisões monocráticas não é novo, mas ganhou força após episódios recentes, como a suspensão de trechos da reforma trabalhista e a anulação de atos do governo federal. Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, “a judicialização da política é um fenômeno global, mas no Brasil ela atinge níveis preocupantes, pois cada ministro pode, sozinho, paralisar políticas públicas ou reverter leis aprovadas pelo Congresso”. A fala de Flávio Bolsonaro, portanto, ecoa um sentimento difuso entre parlamentares e empresários, que cobram maior previsibilidade e respeito ao princípio da separação dos Poderes.
Enquanto isso, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência ganha contornos de oposição ao STF, com promessas de reforma no Judiciário e de fortalecimento do Legislativo. O senador já sinalizou que, se eleito, pretende apoiar medidas que limitem o poder individual dos ministros e garantam maior transparência nas decisões da Corte. A pauta, no entanto, divide opiniões: enquanto aliados veem nela uma defesa da democracia, críticos apontam risco de retrocesso institucional e de enfraquecimento do sistema de freios e contrapesos.
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