Fenaj denuncia ‘tiktokização’ e crise institucional sufocando propostas na campanha eleitoral

O debate público sobre os rumos do Brasil tem sido esvaziado por um modelo eleitoral distorcido, marcado pela ausência de propostas estruturais. É o que aponta a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro. Em entrevista à Agência Brasil, ela argumenta que os problemas reais do país estão deixando de ser discutidos devido a dois principais fatores: a busca da grande mídia por audiência instantânea – e, na maioria dos casos, momentânea – e a adesão das candidaturas a uma lógica de marketing superficial.

“Sofremos um processo violento de ‘tiktokização’ da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha”, declarou Samira.

Ela acrescenta que, em tempos de atenção pulverizada e consumo superficial de notícias, poucos candidatos parecem dispostos a debater a sério os reais problemas do Brasil. Samira também destaca qual é o papel do jornalismo nas grandes crises, como a que enfrenta o Supremo Tribunal Federal (STF), e a importância de ir além nessa pauta.

Crise institucional domina o noticiário

Questionada sobre se a atual crise político-institucional, que envolve denúncias relacionadas ao caso Master, afeta o debate eleitoral, a presidenta da Fenaj foi categórica: “Sim. Ela já extrapolou o Poder Judiciário – envolvendo outras organizações, como a Polícia Federal – e está dominando o debate. O pior é que, a meu ver, ela continuará dominando o noticiário.”

A entrevista aborda ainda a aproximação do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e a expectativa sobre como a imprensa e a opinião pública vão encontrar uma forma mais equilibrada para seguir acompanhando e noticiando o caso.

Panorama político e esvaziamento do debate

A avaliação da Fenaj ocorre em um contexto de crescente preocupação de entidades da sociedade civil com a qualidade do debate eleitoral. Notícias relacionadas publicadas pela Agência Brasil apontam que a ciência ainda não foi lembrada na campanha eleitoral, segundo a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), e que uma crise institucional prejudica o debate eleitoral, na avaliação de entidades.

Além disso, há iniciativas como a campanha que incentiva o voto de quem tem mais de 70 anos. O cenário descrito pela presidenta da Fenaj sugere que, apesar da multiplicidade de temas relevantes para a população, o espaço para propostas estruturais tem sido reduzido tanto pela lógica de consumo rápido de conteúdo nas redes sociais quanto pela centralização do noticiário em crises político-institucionais.

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