A Fifa condenou neste sábado (8) um “esforço coordenado e contínuo de alguns para enfraquecer” a entidade e seu presidente, Gianni Infantino, em meio à controvérsia envolvendo seu plano de investimentos privados, que acabou sendo abandonado. A declaração ocorre após semanas de turbulência que incluem pedidos de renúncia, acusações publicadas pela imprensa britânica e um boicote declarado pela Uefa.
Em comunicado oficial, a entidade máxima do futebol mundial afirmou que “reportagens recentes incluíram alegações sem comprovação e afirmações comprovadamente falsas sobre a Fifa e seu presidente”. A nota não cita diretamente os veículos ou os autores das acusações, mas responde a um cenário de pressão crescente sobre Infantino.
Plano de investimentos e reação negativa
Na semana passada, Infantino anunciou a proposta de criação de uma nova subsidiária, chamada FIFA Forward Enterprise (FFE), que possibilitaria a venda de uma participação minoritária dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados por cerca de 20 bilhões de dólares (R$ 102 bilhões). Segundo o plano divulgado, a comercialização dos direitos seria feita por meio do fundo de investimento Thrive Eternal, controlado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do ex-presidente norte-americano Donald Trump.
A proposta foi amplamente rejeitada pela opinião pública e por dirigentes do futebol mundial. A Uefa, que comanda o futebol europeu, foi além e decretou um boicote a todas as competições organizadas pela Fifa até que a proposta seja definitivamente enterrada. Diante das críticas, Infantino disse ter desistido do plano, mas a ideia já havia gerado uma onda de pressão para que ele renuncie ao cargo.
Acusações pessoais e relação com Trump
Além da crise institucional, Infantino tem enfrentado pedidos de renúncia e também foi alvo de acusações publicadas por um jornal britânico de que teria feito um pagamento a uma amante quando trabalhava na Uefa. A Fifa classificou as reportagens como “alegações sem comprovação e afirmações comprovadamente falsas”.
O cenário de tensão ocorre em um contexto de proximidade entre Infantino e Donald Trump. Ao longo da Copa do Mundo de 2026, que ocorreu nos Estados Unidos, no México e no Canadá, os dois mostraram uma relação de proximidade. Antes da competição, o dirigente criou um prêmio inédito da FIFA, o Prêmio FIFA da Paz, e o concedeu ao presidente norte-americano, que vinha reivindicando que deveria ganhar o Prêmio Nobel da Paz.
Agora, a Fifa tenta conter os danos institucionais e políticos, enquanto Infantino busca manter o controle da entidade em meio a um dos períodos mais conturbados de sua gestão.
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