O vereador Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente e atualmente candidato a deputado federal, teve um desconto de R$ 4.555 em seu salário de julho por faltar a sessões na Câmara Municipal de Balneário Camboriú (SC). A informação foi divulgada pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, em publicação desta quinta-feira (27). O valor representa uma punição direta pelas ausências registradas no mês, reforçando o debate sobre a frequência de parlamentares em suas funções legislativas.
Segundo a coluna, o desconto foi aplicado automaticamente pela folha de pagamento da Câmara, seguindo o regimento interno que prevê a perda proporcional da remuneração para vereadores que não comparecem às sessões plenárias. A medida, embora rotineira, ganhou repercussão nacional por envolver um dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, que busca uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de outubro.
Impacto político e imagem pública
O episódio ocorre em um momento delicado para a família Bolsonaro, que tenta consolidar sua influência no cenário político nacional. A ausência de Jair Renan nas sessões legislativas, mesmo durante o período eleitoral, levanta questionamentos sobre o compromisso do candidato com as funções públicas que já exerce. Especialistas ouvidos por veículos de imprensa apontam que a situação pode ser explorada por adversários políticos, embora a assessoria do vereador ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre o caso.
Balneário Camboriú, cidade de médio porte no litoral catarinense, tem se tornado um polo de atenção política nacional, especialmente por ser reduto de aliados do ex-presidente. A Câmara Municipal, composta por 17 vereadores, tem enfrentado debates sobre quórum e produtividade, e o caso de Jair Renan pode intensificar a cobrança por maior assiduidade entre os parlamentares locais.
Panorama geral
O desconto salarial de Jair Renan ocorre em um contexto mais amplo de escrutínio sobre a atuação de políticos que concorrem a outros cargos enquanto ainda ocupam mandatos. A legislação eleitoral permite a candidatura sem afastamento, mas a frequência às sessões é obrigatória, sob pena de perda de remuneração e, em casos extremos, de cassação do mandato. O caso também reacende o debate sobre a dupla função de parlamentares-candidatos, que dividem tempo entre campanha e atividades legislativas.
A coluna Painel, assinada pela equipe da Folha, destaca que o desconto de R$ 4.555 corresponde a uma parte significativa do salário de um vereador de Balneário Camboriú, que gira em torno de R$ 15 mil. A publicação não detalha quantas sessões foram perdidas, mas indica que o número de faltas foi suficiente para gerar o desconto proporcional. Até o fechamento desta matéria, a Câmara Municipal não havia divulgado a lista de presenças do mês de julho.
O caso de Jair Renan Bolsonaro, que tenta se eleger deputado federal por Santa Catarina, ocorre em meio a uma disputa acirrada por vagas na Câmara dos Deputados, com vários candidatos ligados ao bolsonarismo buscando consolidar suas candidaturas. A repercussão do desconto pode influenciar a percepção do eleitorado sobre a dedicação do candidato, mas também pode ser vista como um fato isolado, sem impacto direto nas intenções de voto.
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