O fim da jornada 6×1, aprovado pela Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira (27), gerou reações opostas entre representantes de trabalhadores e do setor patronal. Enquanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a medida como “vitória histórica da classe trabalhadora”, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou a proposta como “inadequada e inoportuna”. A aprovação ocorre em meio a um cenário político marcado por pressões eleitorais e debates sobre produtividade, custos e emprego no Brasil.
Para a CUT, o resultado concretiza “uma das principais reivindicações do movimento sindical nas últimas décadas”. A entidade atribui a aprovação à mobilização das centrais sindicais, à pressão de movimentos sociais e à negociação direta com parlamentares. Em nota, a central convocou os trabalhadores a manterem a mobilização para pressionar o Senado a dar continuidade à tramitação da matéria. O governo federal, por sua vez, estuda ampliar a contratação de funcionários por MEIs como parte da transição para o novo modelo, conforme apurado pelo Republica do Povo.
Impactos econômicos e reação do setor produtivo
A CNI, no entanto, avalia que a redução da jornada, sem transição adequada e sem ganhos de produtividade, pode elevar custos e pressionar preços, com impactos sobre empregos e a economia. “Uma eventual redução da jornada de trabalho por imposição legal, sem transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade, tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços”, argumentou a entidade. A CNI defende que o tema seja analisado “com equilíbrio, responsabilidade e base técnica, considerando os efeitos sobre trabalhadores, empresas, consumidores e a economia brasileira, e não sob pressão de um ano eleitoral”.
O panorama político geral indica que a proposta, que tramita em regime de urgência, enfrenta resistências no Congresso, onde a votação crucial foi travada enquanto o governo Lula acelera a articulação para garantir a aprovação no Senado. A PEC que acaba com a escala 6×1 prevê mais tempo livre e mesmo salário, mas o governo descartou a desoneração a empresários no pacote de reformas trabalhistas, o que acirrou os ânimos entre os setores produtivos.
As entidades sindicais, como a CUT, reforçam que a medida é uma conquista histórica e que a mobilização popular foi determinante para o avanço. Já a CNI alerta que, sem ajustes, a medida pode gerar inflação e desemprego, especialmente em setores intensivos em mão de obra. O debate agora se concentra no Senado, onde a matéria deve ser analisada nos próximos meses, em meio a um calendário eleitoral que promete intensificar as negociações.
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