O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República em 2026, criticou duramente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após uma brincadeira feita pelo petista sobre o jogador Neymar durante um evento em Belo Horizonte (MG). Em discurso, Lula ironizou a convocação do atacante para a Seleção Brasileira, chamando-o de “o primeiro convocado home office do mundo”. A fala gerou reação imediata de Flávio, que classificou Lula como “presidente turista” e afirmou que o Brasil está ao lado do jogador. O episódio acirra o clima político às vésperas das eleições presidenciais, com a oposição usando o esporte como palco de disputa simbólica.
Durante o evento, Lula conversava sobre igualdade de gênero com uma criança e perguntou se ela já tinha visto a craque Marta, seis vezes eleita a melhor futebolista do mundo, jogar. A criança negou com a cabeça. Lula, então, questionou quem a Seleção Brasileira tem de “bom de bola” atualmente. O menino respondeu: “Neymar”. O presidente afirmou que o atacante não estava “nem jogando” – Neymar se recupera de uma lesão na panturrilha. Lula, então, mencionou uma postagem que disse ter visto nas redes sociais: “Eu vi uma coisa ontem, que o Neymar é o primeiro convocado home office do mundo”, brincou o petista, arrancando risadas dos presentes. “Jogador home office. Isso eu vi na internet ontem. Eu acho que qualquer dia a gente vai ter que fazer uma seleção na inteligência artificial: 11 Pelés”, emendou Lula.
A fala de Lula foi rapidamente repercutida por Flávio Bolsonaro, que usou suas redes sociais para atacar o presidente. Em uma publicação no X (antigo Twitter), o senador escreveu: “Neymar é craque e Lula é presidente turista. Só um deles tem espaço no coração dos brasileiros e pode ter certeza: o Brasil está do lado e torcendo pelo @neymarjr”. Em vídeo divulgado nas redes, Flávio completou: “Quando a gente pensa que já viu de tudo, vem o Lula e consegue fazer mais um gol contra. Para mim, ele é craque, mas a gente está falando de um brasileiro de origem humilde que venceu na vida e levou o nome do país para o mundo”.
O embate ocorre em um contexto de forte polarização política, com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando. Flávio Bolsonaro é um dos principais nomes da oposição ao governo Lula, e a crítica ao presidente busca capitalizar o descontentamento de parte da população com a gestão petista. A brincadeira de Lula, por sua vez, reflete a estratégia do governo de usar o humor para se aproximar do eleitorado, mas também expõe a fragilidade da relação entre o Executivo e figuras populares do esporte. Neymar, que já apoiou publicamente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, segue como um símbolo de resistência para a oposição, que tenta associar Lula a uma postura desrespeitosa com ídolos nacionais.
O episódio também levanta questões sobre o uso do futebol como ferramenta política. Enquanto Lula tenta se conectar com o público jovem e popular, a oposição explora a imagem de Neymar como um brasileiro que superou adversidades. A brincadeira do presidente, embora tenha gerado risos no evento, pode ter efeitos negativos entre os fãs do jogador, que somam milhões de seguidores nas redes sociais. A crise, no entanto, não se limita ao campo esportivo: ela reflete a disputa narrativa entre governo e oposição em um ano eleitoral decisivo.
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