Flávio Bolsonaro recua de nova reforma da Previdência e promete manter valorização do salário mínimo

O pré-candidato à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta sexta-feira (19) que, se eleito em outubro, não realizará mudanças na reforma da Previdência e manterá a política de valorização do salário mínimo, contrariando declaração anterior do coordenador de sua campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), que havia confirmado à Folha a possibilidade de uma nova reforma previdenciária e trabalhista.

A declaração de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de intenso debate no Congresso Nacional sobre o equilíbrio fiscal e a sustentabilidade do sistema previdenciário. A reforma da Previdência, aprovada em 2019, já gerou economia estimada em R$ 800 bilhões em dez anos, mas especialistas apontam que novas medidas podem ser necessárias diante do envelhecimento populacional e do aumento das despesas obrigatórias.

Impacto no mercado e na economia

A promessa de manutenção da valorização do salário mínimo, que em 2026 está em R$ 1.518,00, com reajuste baseado no INPC e no PIB, representa um alívio para trabalhadores e aposentados, mas pode pressionar as contas públicas. O governo federal estima que cada R$ 1 de aumento no salário mínimo impacta em cerca de R$ 400 milhões anuais nas despesas com benefícios previdenciários e assistenciais.

O anúncio de Flávio Bolsonaro também contrasta com a posição de outros pré-candidatos, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já sinalizou a necessidade de revisar regras de aposentadoria para setores específicos, e o governador Romeu Zema (Novo-MG), defensor de uma reforma ampla com idade mínima única.

Panorama político e reações

A declaração de Rogério Marinho, na última quarta-feira (17), gerou reações imediatas no mercado financeiro, com o dólar subindo 1,2% e o Ibovespa caindo 0,8%, refletindo incertezas sobre a direção da política econômica de uma eventual gestão Bolsonaro. A fala de Flávio Bolsonaro busca acalmar os ânimos, mas expõe divergências internas na campanha.

O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, criticou a falta de clareza: “O país precisa de propostas concretas, não de recuos e contradições. A Previdência é um tema sério que exige responsabilidade.” Já o economista José Roberto Afonso, do Ibre/FGV, alertou que “manter a valorização do salário mínimo sem ajustes nas regras de aposentadoria pode comprometer o arcabouço fiscal a médio prazo”.

Flávio Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto com 32% das menções, segundo o Datafolha de maio, tenta se diferenciar do governo Lula, que enfrenta déficit primário de R$ 45 bilhões em 2026. A promessa de não alterar a Previdência visa atrair eleitores mais velhos e servidores públicos, mas pode afastar setores do mercado que esperam reformas estruturais.

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